Recentemente, ao analisar a estrutura das equipes com as quais trabalho, percebi uma mudança significativa: a crescente participação de agentes de inteligĂȘncia artificial (IA) em minhas atividades diĂĄrias. Esses sistemas nĂŁo sĂŁo apenas ferramentas, mas sim participantes ativos na anĂĄlise de dados, organização de informaçÔes, sugestĂŁo de caminhos e aceleração de decisĂ”es.
Apesar de nĂŁo estarem formalmente representados nos organogramas, sua influĂȘncia nos resultados, prioridades e atĂ© mesmo no nosso processo de pensamento Ă© inegĂĄvel.
Momentos de Entusiasmo e Questionamentos
Minha experiĂȘncia com essa transição Ă© marcada por estados emocionais distintos. HĂĄ dias de genuĂno entusiasmo, impulsionados pela sensação de ganhar tempo, aprofundamento e qualidade nas anĂĄlises, e a possibilidade de sair do âapagamento de incĂȘndiosâ para ter uma visĂŁo holĂstica do sistema e seu impacto.
Nesses momentos, a tecnologia parece uma grande aliada do pensamento humano. No entanto, também surgem questionamentos, como uma espécie de incÎmodo silencioso: qual o meu valor como humano nesse novo cenårio?
O Trabalho Coletivo Humano-MĂĄquina
Acredito que o trabalho humano nĂŁo perde valor, mas sim muda de camada. A transição do indivĂduo ao sistema Ă© fundamental. O trabalho deixa de ser um ato solitĂĄrio e se torna uma produção coletiva entre humanos e mĂĄquinas. Por muito tempo, a carreira foi vista como algo individual, mas agora o trabalho acontece em sistemas sociotĂ©cnicos, onde humanos e tecnologias produzem valor juntos.
Novas Habilidades para o Futuro Profissional
Essa nova dinùmica exige que saibamos como configurar o sistema ao redor do nosso trabalho, como interagir com dados, agentes e automaçÔes e como usar essa interação para ampliar ou limitar conscientemente o impacto das nossas decisÔes. A maturidade profissional deixa de ser apenas senioridade, cargo ou tempo de casa, e passa a ser a capacidade de desenhar bons sistemas de trabalho.
Um Novo Critério de Diferenciação
Com a inteligĂȘncia artificial, os diferenciais profissionais mudam. NĂŁo se trata mais de ter a resposta, mas de como pensamos, decidimos e nos posicionamos diante dos problemas. A relevĂąncia reside em quem consegue pensar de forma estratĂ©gica e adaptĂĄvel.
Estamos vivendo uma transição profunda â organizacional, profissional e emocional. Ainda sem mapas claros. Ainda sem respostas definitivas. A pergunta, entĂŁo, deixa de ser âa IA vai substituir meu trabalho?â E passa a ser: como eu estou me desenvolvendo para trabalhar com ela sem abrir mĂŁo do que me torna essencialmente humano?
