Renúncias no Conselho Fiscal do Banco de Brasília Levantam Questionamentos
Duas das nove cadeiras do conselho fiscal do Banco de Brasília (BRB) foram deixadas em aberto após a renúncia de dois membros, Leonardo Roberto Oliveira de Vasconcelos e Celivaldo Elói Lima de Sousa, na sexta-feira (13). Ambos eram indicados pelo governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), e estavam ligados a um fundo da Reag Investimentos, que é investigada por operações fraudulentas com o Banco Master. As renúncias geraram questionamentos sobre a influência política e financeira no conselho do banco estatal.
Investigações e Conflitos de Interesse
A situação se desenrola em meio a uma série de investigações envolvendo o BRB e a Reag. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) está apurando irregularidades relacionadas a indicações de conselheiros e à compra de carteiras do Banco Master. A Reag também é alvo da Polícia Federal na Operação Compliance Zero, que investiga fraudes e a utilização de fundos para sonegação fiscal. O Banco Master foi liquidado em 2025, e seu ex-presidente, Paulo Henrique Costa, também é investigado.
A Influência de Ibaneis Rocha e da Reag Investimentos
Ibaneis Rocha indicou Juliana Monici Souza Pinheiro, sua chefe de gabinete, para o conselho fiscal do BRB em novembro de 2024. A indicação original foi feita como representante dos acionistas preferencialistas, mas foi corrigida para representar o controlador, que é o governo do Distrito Federal. Leonardo Roberto Oliveira de Vasconcelos e Celivaldo Elói Lima de Sousa, indicados por Ibaneis, foram eleitos por meio do fundo Borneo, administrado pela Reag. A Reag Investimentos também é investigada na Operação Carbono Oculto, por abrigar fundos usados por suspeitos de sonegação fiscal e envolvimento com o crime organizado no setor de combustíveis.
Mudanças na Composição do Conselho
A composição do conselho do BRB passou por diversas mudanças em 2025. Juliana Monici Souza Pinheiro, que inicialmente representava os acionistas preferencialistas, passou a ser a representante do controlador, o governo do Distrito Federal. Leonardo Roberto Oliveira de Vasconcelos e Celivaldo Elói Lima de Sousa, indicados por Ibaneis Rocha, foram eleitos por meio do fundo Borneo, administrado pela Reag. Essas mudanças refletem a complexa teia de relações financeiras e políticas que envolvem o banco estatal e a Reag Investimentos.
Conselho Fiscal e Fiscalização
O conselho fiscal do BRB tem o dever de fiscalizar os atos da gestão do banco, podendo solicitar informações e questionar os resultados contábeis. No entanto, em 2025, os membros indicados pelo governador e pela Reag não exerceram essa função de forma efetiva, o que gerou críticas e questionamentos sobre a independência e a capacidade de fiscalização do conselho.
