IBGE aponta alta de 0,20% no IPCA-15 e alerta para pressões inflacionárias
IBGE aponta alta de 0,20% no IPCA-15 em janeiro; inflação desacelera e preocupa BC. Veja!
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta terça-feira, 27, que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-15), indicador antecipado da inflação oficial, registrou um aumento de 0,20% em janeiro. Essa variação representa uma desaceleração em relação a dezembro, quando o índice havia avançado 0,25%.
As projeções do mercado, conforme levantamento da Reuters, apontavam para uma alta de 0,21%, enquanto estimativas de instituições como o ASA variavam entre 0,22% e 0,25%.
Efeito Estatístico e Meta Inflacionária
Apesar do resultado, o dado indicou um alívio modesto na inflação de curto prazo. No acumulado de 12 meses, o IPCA-15 subiu de 4,4% para 4,5%, impulsionado por um efeito estatístico. Essa variação se deve, em parte, ao fato de que a inflação em janeiro de 2025 foi artificialmente baixa devido ao bônus aplicado nas tarifas de energia elétrica da estatal Itaipu.
Composição do Índice e Pressões Inflacionárias
A análise da composição do índice revelou forças contrastantes. O setor de alimentação no domicílio apresentou um aumento acelerado, um comportamento comum no início do ano. Por outro lado, os serviços registraram uma desaceleração, principalmente devido à deflação nas passagens aéreas.
Embora essa dinâmica tenha ajudado a conter a inflação geral, ela não eliminou pressões estruturais nos núcleos de inflação.
Núcleos de Inflação e Mercado de Trabalho
Segundo Maykon Douglas, economista, o resultado confirma uma tendência gradual de arrefecimento inflacionário, embora com ressalvas. “A inflação medida pelo IPCA-15 subiu 0,20% em janeiro, abaixo do projetado pelo mercado. No acumulado de 12 meses, o índice acelerou de 4,4% para 4,5%”, afirma.
Ele destaca que a média dos núcleos de inflação subiu 4,3% na comparação anual, retornando ao intervalo da meta.
Preocupações com Serviços e Selic
No entanto, Douglas chama a atenção para um ponto crítico: a inflação de serviços intensivos em trabalho continua em alta. O índice avançou de 7,6% para 8,0% na média anualizada dos últimos três meses, o maior nível desde outubro de 2022. Esse movimento reflete um mercado de trabalho ainda apertado, que exerce pressão sobre preços ligados à renda e ao emprego.
Perspectivas do Banco Central
Diante desse cenário, o Banco Central (BC) deve manter a taxa básica de juros (Selic) inalterada na reunião desta semana. A inflação, embora em trajetória de desaceleração, ainda exige cautela da política monetária. A avaliação de Pablo Spyer, conselheiro da ANCORD, é que o IPCA-15 é benigno na margem, mas insuficiente para justificar uma mudança imediata de postura.
A resiliência dos núcleos de inflação, especialmente em serviços e bens industrializados, impõe cautela adicional ao Copom (Comitê de Política Monetária).
Autor(a):
Redação
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