Mercado Reage com Ganho na Semana, Mas Atenção Persiste
A semana que passou no mercado financeiro brasileiro foi marcada por uma recuperação significativa, com o Ibovespa encerrando com um ganho de 3,03%, após uma sequência de quatro semanas negativas. Essa valorização, que elevou os índices aos 181.556,76 pontos, veio acompanhada de uma retomada do apetite dos investidores, impulsionada principalmente pela expectativa de novos dados econômicos e pela busca por um novo rumo das políticas monetárias.
A guerra entre Estados Unidos e Irã, embora ainda um fator de risco, parece ter perdido um pouco do seu impacto imediato, permitindo que o mercado se concentrasse em outras informações.
Dados Econômicos e o Futuro da Selic
O foco principal da semana foi a divulgação de diversos indicadores econômicos, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. A segunda-feira trouxe o Caged de fevereiro, que mostrou um resultado resiliente, com a criação de cerca de 80 mil vagas formais, mantendo o ritmo do mês anterior.
Essa informação, juntamente com a nota de crédito e o resultado primário do Governo Central, ajudou a calibrar as expectativas do mercado em relação à política monetária do Banco Central.
Nos Estados Unidos, a atenção estava voltada para a série de dados de emprego, que servem para medir a temperatura da maior economia do mundo e auxiliar o banco central a definir a rota dos juros. A expectativa é que esses indicadores ajudem a determinar se o Federal Reserve (Fed) continuará a aumentar as taxas de juros ou se dará sinais de pausa.
A divulgação do Índice de Gerenciamento de Compras (ISM) e das vendas no varejo também foram acompanhadas com atenção.
Geopolítica e a Reação do Mercado
A guerra entre EUA e Irã continuou sendo um fator de risco presente, mas o mercado parece ter se adaptado à nova realidade. A ata da última reunião do Banco Central do Chile, que será divulgada na quarta-feira, deve detalhar como o conselho avalia o balanço de riscos diante do conflito.
O BC chileno manteve as taxas de juros em 4,50%, mas deixou a porta aberta para altas caso o cenário piore.
Na América Latina, a atenção também se voltou para os dados de confiança (IMEF e PMI) do México, em meio a sinais de que o Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre pode fechar no negativo. A incerteza geopolítica, combinada com os desafios econômicos regionais, exige cautela por parte dos investidores.
Desempenho do Ibovespa e Ações em Destaque
Na ponta do Ibovespa, a ação da MBRF (MBRF3) se destacou, impulsionada por fluxo comprador. A valorização foi de 31,51%, e a empresa zerou as perdas acumuladas ao longo do ano, acumulando uma valorização de 9,26%. A ação da Petrobras (PETR4) também se apresentou de forma positiva, com cinco altas consecutivas e um acúmulo de valorização.
A companhia atraiu mais de R$ 50 bilhões em valorização nesta semana.
A Braskem (BRKM5) apresentou o desempenho mais fraco, com uma queda de 11,27%, devido a resultados negativos e à queima de caixa. A empresa foi aprovada sem ressalvas pela auditoria da KPMG, mas os auditores registraram “incerteza relevante relacionada à continuidade operacional da companhia”.
Outras ações que se destacaram na alta foram a da Vamos (VAMO3), Assaí (ASAI3) e Brava Energia (BRAV3), enquanto a da Eneva (ENEV3) e da Direcional (DIRR3) apresentaram quedas significativas.
