Ibovespa em queda após ajustes e influência externa, com foco em juros e dólar

Ibovespa em queda de 0,75% após máxima histórica, influenciado por fatores externos e realização de lucros. José Áureo Viana atribui comportamento do índice a momento de digestão

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(Imagem de reprodução da internet).

Mercado Financeiro Brasileiro Registra Ajuste em Meio a Influências Externas

O mercado financeiro brasileiro apresentou um pregão com duas fases distintas nesta quinta-feira (29). Após atingir uma máxima histórica intradiária, o Ibovespa inverteu o sinal e fechou em queda de 0,75%, situando-se aos 183.305,60 pontos. A movimentação foi influenciada por fatores externos e pela realização de lucros por parte dos investidores.

José Áureo Viana, planejador financeiro e sócio da Blue3 Investimentos, atribuiu o comportamento do índice a um momento de digestão após um período de forte alta. “A sessão de hoje refletiu um processo de correção após uma ‘superquarta’”, declarou Viana.

Influência do Copom e do Mercado Externo

O início do pregão foi marcado por um viés positivo, impulsionado pela expectativa de que o Comitê de Política Monetária (Copom) sinalizasse o início de um ciclo de cortes na taxa Selic. Essa expectativa elevou as apostas sobre um corte de 0,5 ponto percentual, derrubando os juros futuros e sustentando a alta da Bolsa.

José Áureo Viana ressaltou que o recorde intradiário foi resultado de uma reprecificação local, especialmente na curva de juros e no “prêmio de risco”, com o mercado reagindo positivamente à sinalização do Banco Central.

Correção Impulsionada pelo Exterior

Ao longo da tarde, o cenário doméstico perdeu força devido à piora no mercado de Wall Street, causada por resultados de grandes empresas como a Microsoft e discussões sobre investimentos em inteligência artificial. Essa situação gerou uma menor disposição para assumir riscos globalmente.

José Áureo Viana enfatizou que a correção do Ibovespa foi principalmente influenciada pela correlação com o mercado externo e pelo “risk-off” global, em vez de uma deterioração do cenário local.

Dólar Oscila e Commodities Ajudam a Amortecer

No mercado de câmbio, o dólar comercial fechou em queda de 0,22%, a R$ 5,193, após oscilações durante o dia. A moeda atingiu uma mínima de R$ 5,166, mas recuperou força no meio da tarde com a busca por proteção, antes de perder força novamente.

O enfraquecimento global do dólar e a recuperação dos preços das commodities ajudaram a limitar a pressão cambial.

José Áureo Viana observou que a dinâmica no câmbio foi similar à da Bolsa, com o dólar cedendo pela manhã, esticando com a piora do exterior e depois acomodando com a recuperação das commodities.

Juros Futuros Caem e Commodities Fortalecem o Índice

A curva de juros futuros apresentou queda consistente em todos os vencimentos, refletindo uma leitura mais positiva sobre a política monetária brasileira. Para José Áureo Viana, esse movimento é estrutural e tende a ter efeitos mais duradouros, ajudando a reduzir prêmios e reforçando a perspectiva de cortes na taxa Selic.

O setor de commodities funcionou como um amortecedor, com a Petrobras subindo acompanhando a alta do petróleo no exterior e a Vale avançando com o minério de ferro mais firme na China. A ação VALE3 liderou o volume financeiro do dia, reforçando o peso do setor no índice.

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