INSS investiga suspeitas em 74% de empréstimos consignados do Banco Master

INSS aponta suspeitas em 74,3% de empréstimos consignados do Banco Master. Análise interna revela falta de 252 mil contratos e questiona validade do consentimento

08/01/2026 12:50

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(Imagem de reprodução da internet).

Uma análise interna do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) aponta que mais de sete em cada dez empréstimos consignados concedidos pelo Banco Master estão sob suspeita. Essa descoberta foi divulgada pelo jornal Estadão, com base em um processo administrativo iniciado em novembro do ano passado, que investiga possíveis irregularidades na expansão da carteira de crédito do banco, liderada por Daniel Vorcaro.

De acordo com documentos internos, o INSS identificou a ausência de cerca de 252 mil contratos entre outubro de 2021 e setembro de 2025, representando 74,3% dos 338,6 mil empréstimos. Isso significa que apenas uma pequena parcela dos contratos possui documentação comprobatória das operações de crédito consignado com beneficiários da Previdência Social.

O relatório técnico do INSS destaca um crescimento acelerado da carteira de crédito do Master, caracterizado por um grande número de “averbações desprovidas do devido lastro documental e sem a observância dos requisitos de segurança exigidos”.

Essa escalada vertiginosa de operações intensifica o alerta sobre a situação.

O Estadão relata que, em novembro de 2022, o Banco Master possuía apenas um consignado ativo com beneficiários do INSS. Um mês depois, em dezembro, o número saltou para mais de 100 mil contratos.

A falta de mais de 250 mil contratos é considerada uma “falha grave e insanável”, gerando dúvidas sobre a validade do consentimento dos beneficiários em um percentual alarmante das consignações.

Além da ausência de documentos, o sistema e-consignado apresenta um padrão de alerta: formulários genéricos e padronizados, sem informações essenciais e personalizadas, como o limite de crédito aprovado, a forma de pagamento, a taxa de juros aplicada e o número de parcelas.

O Acordo de Cooperação Técnica (ACT) entre o Banco Master e o INSS, vigente desde 2020 e renovado em 2022 durante a gestão de Edson Yamada, é um ponto central na investigação. Yamada é sócio de José Carlos Oliveira, ex-ministro do Trabalho e também ex-diretor de benefícios do INSS, que está sendo investigado na Operação Sem Desconto.

Em outubro de 2025, diante do “volume expressivo” de reclamações, o INSS decidiu não renovar o ACT, encerrando a autorização do banco para novas operações de crédito consignado com o INSS.

O INSS informou que 19 acordos de cooperação técnica com instituições financeiras já foram rescindidos por irregularidades no crédito consignado. Outros quatro convênios estão suspensos, quatro foram encerrados a pedido das próprias entidades e três simplesmente expiraram, sem renovação.

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