IPCA-15 de Abril: Projeções Indicam Alta Inflacionária Persistente
A expectativa para o IPCA-15 de abril, a prévia oficial da inflação calculada pelo IBGE, aponta para um aumento de 0,96% no mês, conforme estimativa da Warren Investimentos. Caso este número se confirme na divulgação prevista para a próxima terça-feira, dia 28, a inflação acumulada em doze meses deve alcançar 4,44%.
Isso representa uma aceleração de 55 pontos-base em comparação com os 3,89% registrados em março. Essa projeção reforça a percepção de que a pressão inflacionária permanece alta, afetando especialmente itens administrados, combustíveis, alimentação doméstica e os reflexos da guerra no Oriente Médio sobre preços sensíveis ao cenário internacional.
Impactos Setoriais: Combustíveis e Alimentos em Destaque
Entre os grupos que mais influenciarão o índice, o setor de Transportes se destaca, impulsionado pelo aumento nos custos dos combustíveis. A gasolina, segundo a estimativa da casa, deve subir 5,90% no mês, exercendo uma pressão considerável sobre o indicador geral.
Em um movimento de moderação, a passagem aérea deve desacelerar, passando de uma alta de 5,94% em março para 2,00% em abril, o que ajuda a conter parcialmente a pressão neste segmento. Já em Alimentação e bebidas, a projeção é de aceleração para 1,63%, puxada por alimentos in natura, carnes (+2,14%) e leite e derivados (+5,50%).
Serviços e Itens Essenciais
No grupo Habitação, espera-se que a energia elétrica suba 0,82%, enquanto o gás de botijão pode avançar 1,50%. Isso sinaliza que a inflação está se espalhando por itens básicos consumidos pelas famílias.
Por outro lado, os serviços subjacentes devem apresentar algum alívio. A projeção indica uma desaceleração para 0,35% na margem, comparado aos 0,50% do mês anterior, refletindo menor pressão em serviços pessoais e bancários.
Inflação Acumulada e Cenário Global
Apesar da desaceleração em alguns serviços, a inflação acumulada em doze meses desse setor permanece elevada, em 5,24%, o que aponta para uma persistência inflacionária em segmentos ligados à renda e ao mercado de trabalho.
A média dos núcleos de inflação, acompanhada de perto pelo Banco Central e que exclui itens muito voláteis, deve ficar em 0,38% no mês e 4,23% no acumulado de 12 meses. Além disso, cerca de 15% da cesta do IPCA já reflete os efeitos da guerra entre Estados Unidos e Irã, impactando o petróleo e a logística.
Perspectivas Futuras e Meta de Inflação
A Warren Investimentos projeta que o IPCA fechado para 2026 fique em 4,85%, um patamar ainda acima do centro da meta de inflação estabelecida pelo Banco Central. Esse dado sugere que o espaço para cortes mais acentuados na taxa Selic permanece limitado.
A alta de preços está se tornando mais disseminada, visto que o índice de difusão deve saltar de 63,2% para 76,6%. Essa combinação de pressão externa, combustíveis mais caros e consumo doméstico resistente mantém o cenário inflacionário sob observação atenta.
