Inflação Acelera e Desafia Expectativas no Mercado
O cenário econômico brasileiro, frequentemente comparado a um suspense, apresentou um novo capítulo de incerteza com o recente relatório do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), divulgado na terça-feira (28). O índice, que serve como um termômetro da inflação oficial, registrou um salto de 0,89% em abril, um número que inicialmente gerou preocupação entre analistas e investidores.
Esse aumento, o maior para o mês desde 2022 e o maior avanço mensal desde fevereiro de 2025, reacendeu debates sobre o controle da inflação no país.
Apesar do susto inicial, o resultado do IPCA-15 apresentou nuances que trouxeram um certo alívio. A expectativa do mercado, que previa avanços mais robustos entre 0,90% e 1,11%, com uma mediana de 0,98%, foi superada. Isso significa que o índice real ficou abaixo do que muitos esperavam, o que, em si, já é um sinal positivo.
No entanto, ao analisar o acumulado de 12 meses, a situação se torna mais complexa, com a inflação subindo de 3,90% para 4,37%, interrompendo um período de estabilidade que durava dois meses.
Os principais impulsionadores dessa aceleração foram os setores de Alimentação e Bebidas (com alta de 1,46%) e Transportes (com aumento de 1,34%), ambos influenciados pelo aumento dos preços de energia e combustíveis, em um contexto de tensões geopolíticas, como a guerra no Irã.
Em nível regional, Belém, na Paraíba, foi a cidade que mais sentiu o impacto da inflação, com um aumento de 1,46%, enquanto Brasília, no Distrito Federal, apresentou um crescimento mais moderado, de 0,41%.
Juros e Decisões do Copom
O impacto do IPCA-15 na política monetária do Banco Central (BC) é um ponto central de atenção. A divulgação do índice ocorreu em um momento crucial, antecedendo a “Super Quarta”, dia em que decisões de juros são tomadas simultaneamente no Brasil e nos Estados Unidos.
A grande questão é se a taxa Selic, atualmente em 14,50%, continuará a ser reduzida. A Capital Economics, uma consultoria britânica, acredita que o Comitê de Política Monetária (Copom) terá espaço para um corte de 0,25 ponto porcentual (pp) amanhã (29), elevando a Selic para 14,50%.
Análises e Projeções
Diferentes instituições financeiras têm opiniões divergentes sobre o futuro da Selic. O Inter e o Itaú também preveem um corte de 0,25 pp, mas com otimismo diferente. André Valério, economista sênior do Inter, destaca que, ao excluir as passagens aéreas (que tiveram queda), a inflação de serviços permanece resiliente.
Já Luciana Rabelo, economista do Itaú, alerta para a qualidade do dado, com itens de higiene pessoal e vestuário já refletindo os efeitos indiretos do petróleo. O Citi, por sua vez, adota uma postura mais cautelosa, revisando a previsão de inflação para 2026 de 3,8% para 4,5%, indicando uma desaceleração mais lenta dos cortes na Selic.
