IPOs voltam: Agibank e PicPay perdem valor após estreia, o que esperar?

IPOs voltam, mas Agibank e PicPay decepcionam! Ações caem após abertura. O que os analistas dizem sobre o futuro do Agibank? Clique e saiba mais!

22/04/2026 17:16

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(Imagem de reprodução da internet).

A Volta das IPOs e o Desempenho Frustrante de Agibank e PicPay

O retorno das ofertas públicas iniciais (IPOs) após um hiato de cinco anos ganhou força com empresas como Agibank (AGBK) e PicPay (PICS). Contudo, o desempenho das ações desde o lançamento não correspondeu às expectativas. Em vez de valorizar, os papéis começaram a registrar perdas, repetindo um padrão visto em outras aberturas recentes no mercado.

Análise de Mercado e Cortes de Projeções para Agibank

No caso específico do Agibank, a desvalorização já ultrapassa 30%, gerando dúvidas se o ativo representa uma oportunidade de investimento ou se há riscos adicionais no horizonte. O BTG, em um relatório recente, ajustou o preço-alvo de US$ 17 para US$ 14 e reduziu as projeções de lucro por ação (EPS) para 2026 em 12% e para 2027 em 8%.

Fatores que Pressionaram as Ações

Apesar dos cortes, o preço ainda aponta um potencial de alta de 80% comparado ao ano passado, o que sustenta a recomendação de compra dos analistas. Segundo eles, o desempenho foi afetado não apenas por um cenário econômico desafiador, mas também pela tensão geopolítica envolvendo o Irã e pela venda de ações de grandes empresas de tecnologia americanas.

Além disso, a interrupção do crédito consignado do INSS teve um impacto maior que o previsto. No ano passado, o órgão suspendeu novos créditos, e o Agibank só conseguiu retomar essa linha de empréstimos, considerada uma das mais rentáveis e cruciais para o banco, no final de fevereiro.

Perspectivas e Desafios Futuros do Agibank

Para o BTG, o cenário atual é desafiador. Os analistas apontam que não atingir as expectativas logo após um IPO raramente é positivo. Contudo, há otimismo de que a queda nos resultados seja passageira, com uma possível normalização prevista para o segundo semestre de 2026 e em 2027.

Visão dos Executivos e o Potencial do Crédito Consignado

Marciano Testa, CEO do Agibank, ressalta seu profundo conhecimento do segmento INSS e das complexidades operacionais do negócio. Ele mantém a tese de crescimento intacta, apontando que o mercado total de empréstimos consignados no Brasil gira em torno de R$ 750 bilhões.

A expectativa de crescimento anual de cerca de 7,58% implica um crescimento acumulado de aproximadamente 36% em quatro anos, atingindo quase R$ 1 trilhão. O Agibank visa capturar 10% desse valor nos segmentos público, privado e do INSS, o que sugere um potencial de triplicar o tamanho do banco nesse período.

Desempenho Recente e Projeções de Lucro

O desempenho do quarto trimestre foi pressionado pela desaceleração do crédito após o alerta do INSS, além do aumento do custo de risco e de empréstimos não produtivos (NPLs) em safras iniciais de empréstimos trabalhistas privados. O lucro líquido registrado foi de R$ 214,9 milhões, um aumento de 9,2%, mas o número não animou os investidores, levando a uma queda superior a 6% na sessão seguinte.

Para o primeiro trimestre, o BTG projeta números mais normalizados, mas o impacto negativo da suspensão do INSS ainda é sentido, afetando particularmente a área de limpeza. A projeção de lucro foi reduzida em 17% para R$ 180 milhões, o que representa uma queda de 50% em relação ao mesmo período do ano passado, com um ROE projetado de 18,2%.

Conclusão: Vantagens Competitivas e Otimismo de Longo Prazo

Apesar dos desafios de curto prazo, os analistas reiteram que as ações do Agibank permanecem com um preço atrativo e mantêm vantagens competitivas, tanto regulatórias quanto culturais. Marciano Testa reafirma o otimismo, projetando uma rentabilidade (ROE) entre 25% e 30%, um percentual que ele considera ainda conservador.

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