JPMorgan Chase Aumenta Preferência por Itaúsa em Meio a Mudanças Tributárias
O JPMorgan Chase elevou sua recomendação para Itaúsa (ITSA4), superando o Itaú (ITUB4), em um cenário de otimismo impulsionado pela expectativa de redução do desconto aplicado sobre o valor patrimonial líquido (NAV) da holding. A instituição financeira projeta um preço-alvo de R$ 17,50 para dezembro de 2026, o que representa um potencial retorno total de 26%.
Essa mudança reflete a percepção de que a reforma do ICMS no Brasil pode trazer benefícios significativos para a Itaúsa.
Fim da Ineficiência Fiscal: Um Gatilho Crucial
O principal fator que impulsiona essa revisão positiva é o fim de uma ineficiência tributária estimada em R$ 700 milhões por ano. Com a implementação do novo regime de VAT (CBS/IBS), a partir de janeiro de 2027, o PIS/Cofins deixará de incidir sobre as receitas financeiras da Itaúsa.
Atualmente, sob o regime cumulativo, a alíquota de 9,25% representa um impacto anual de cerca de R$ 500 milhões em impostos.
Estrutura de Holding Dupla e Impacto Tributário
Além da mudança tributária, a estrutura de holding dupla, que envolve 66,5% da Iupar (que detém 26,15% do Itaú), gera uma dupla tributação sobre os Juros sobre Capital Próprio (JCP), adicionando cerca de R$ 200 milhões em ineficiência. O banco estima que, considerando um múltiplo P/L de 8 vezes, o impacto positivo pode chegar a R$ 6 bilhões em valor de mercado, o que representa aproximadamente 4% do total.
Outros Fatores e Riscos a Serem Monitorados
No acumulado do ano, a Itaúsa já supera o Itaú em 3%, e o desconto do NAV diminuiu de 25% no terceiro trimestre de 2025 para 22,3% atualmente. Outro ponto de atenção é a possível abertura de capital da Aegea, uma das investidas da holding, o que poderia aumentar a liquidez e destravar valor.
No entanto, o JPMorgan também destaca riscos relacionados ao desempenho das subsidiárias, especialmente do Itaú Unibanco, que pode enfrentar desafios como menor crescimento no crédito, aumento da inadimplência e pressão sobre a margem financeira.
A performance de outras empresas como Dexco (DXCO3), Alpargatas (ALPA4) e Motiva (MOTV3) também é vista como um fator de risco.
A estratégia de diversificação da holding e possíveis divergências entre os acionistas controladores e minoritários também são considerados pontos de atenção pela equipe do JPMorgan.
