JPMorgan rebaixa Banrisul e alerta para crédito gaúcho em risco em 2026

JPMorgan rebaixa recomendação do Banrisul e alerta para crédito gaúcho. Saiba os motivos e o preço-alvo de R$ 15 até dezembro de 2026!

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(Imagem de reprodução da internet).

JPMorgan Rebaixa Recomendação do Banrisul e Alerta para Deterioração do Crédito Gaúcho

O JPMorgan ajustou sua recomendação para o Banrisul (BRSR6), mudando de neutra para underweight, o que equivale a uma sugestão de venda. A instituição também estabeleceu um preço-alvo de R$ 15 por ação para dezembro de 2026. Essa mudança de tom veio acompanhada de um alerta sério sobre uma possível deterioração mais estrutural na carteira de crédito do banco gaúcho.

No mercado, a reação foi imediata. Durante o pregão, os papéis sofreram quedas significativas. Atualmente, a ação seguia em tendência de baixa, refletindo as preocupações levantadas pelos analistas sobre a saúde financeira da instituição.

Principais Motivos para o Pessimismo do JPMorgan

O relatório do banco norte-americano aponta três razões centrais para o corte na recomendação. A primeira diz respeito à esperada piora na qualidade dos ativos do banco. A segunda envolve a incerteza em torno da renovação do contrato com o governo do Rio Grande do Sul.

Por fim, há a questão das dificuldades estruturais de eficiência em um cenário bancário cada vez mais competitivo.

Preocupações com a Qualidade da Carteira de Crédito

O foco principal do JPMorgan reside na qualidade da carteira de crédito do Banrisul. Os analistas preveem que o banco terá que aumentar as provisões e lidar com um maior custo de risco nos próximos anos. A projeção indica um custo de risco de 2,3% em 2026 e 2,5% em 2027, superando os 2,0% registrados no ano anterior.

Essa visão sugere que o mercado passou a questionar se o desgaste do crédito no Rio Grande do Sul é um evento isolado ou se indica um problema mais persistente. Dados do Banco Central desde 2024 apontam para uma inadimplência crescente no estado, especialmente entre pessoas físicas e empresas, superando a média do sistema financeiro.

Impacto da Renovação Contratual com o Governo Estadual

Outro fator de pressão é a negociação do contrato com o governo estadual. O JPMorgan considera que este tema adiciona um elemento de incerteza à análise de investimento no Banrisul. Há reportagens que sugerem que o valor mínimo da renovação pode atingir R$ 1,2 bilhão.

Esse montante representa cerca de 16% do valor de mercado do banco, o que confere grande peso à discussão. O mercado interpreta que isso pode gerar um impacto direto sobre o capital, a rentabilidade e a percepção geral de risco da ação.

Eficiência Operacional e Comparativo com Outros Bancos

O terceiro ponto levantado é a eficiência operacional. Os analistas observam que bancos estatais enfrentam desafios maiores para competir com instituições digitais, que operam com estruturas mais enxutas e maior flexibilidade. Para 2026 e 2027, o banco projeta um retorno sobre patrimônio (ROE) em torno de 11%.

Além disso, a casa de análise estima uma queda de 22% no lucro em 2026. Embora parte desse recuo possa ser comparado a uma base mais forte em 2025, o resultado reforça a leitura de um banco sob pressão de crédito, rentabilidade e custos.

Destaques do Setor Bancário Segundo o JPMorgan

Em relação ao setor, o JPMorgan manteve o Itaú Unibanco (ITUB4) como a principal escolha, destacando sua qualidade superior de ativos e maior rentabilidade em comparação com os concorrentes. O Santander Brasil (SANB11) também recebeu uma leitura positiva, embora com expectativa de crescimento mais contido.

O Bradesco (BBDC4) deve passar por um período mais neutro, mas ainda em uma trajetória gradual de melhoria operacional. Já o Banco do Brasil (BBAS3) mantém recomendação neutra devido ao ambiente desafiador, com pressão sobre resultados e necessidade de provisões, principalmente no crédito rural.

Visão Otimista para Bancos Digitais

O JPMorgan também reforçou uma perspectiva mais favorável para os bancos digitais. Nubank (ROXO34) e Inter (INBR32) continuam com recomendação overweight, equivalente à compra. Para o Nubank, a casa destaca o forte crescimento da carteira de crédito e alta rentabilidade, com projeção de ROE próxima de 30%.

O Inter também figura entre os nomes preferidos. Segundo o relatório, o banco digital combina uma expansão robusta da carteira com alguma pressão de risco e de margens, mas ainda sustenta uma tese de investimento positiva.

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