Revivendo uma Língua Esquecida: O Projeto “Ninho de Língua” na Lapônia
É comum não compreendermos completamente o vocabulário das crianças, mas imagine a situação de não entender uma única palavra que elas dizem. Em algumas creches na Lapônia, região do Círculo Polar Ártico – que inclui a Noruega, Suécia, Finlândia – essa barreira de comunicação está sendo gradualmente superada.
A iniciativa se baseia no escuta de conversas em inari sámi, uma língua indígena com um passado quase esquecido.
A História do Inari Sámi
O inari sámi tem suas origens no Lago Inari, na Finlândia. Por décadas, a língua esteve à beira da extinção. Em 1995, apenas duas famílias utilizavam a língua com seus filhos, e apenas quatro jovens tinham menos de 20 anos e falavam inari sámi.
O Projeto “Ninho de Língua”: Uma Inspiração da Nova Zelândia
A revivificação da língua inari sámi foi impulsionada por um projeto iniciado na Nova Zelândia. A terra do povo “Kiwi” desenvolveu iniciativas de revitalização de línguas indígenas locais, inspirando um programa de imersão linguística na Lapônia.
O modelo, conhecido como “Ninho de Língua”, visa formar uma nova geração de falantes através da imersão total das crianças na língua.
Como Funciona o “Ninho de Língua”
O programa, implementado na primeira infância (do nascimento aos seis anos), utiliza canções, decorações e elementos tradicionais do povo Sámi na sala de aula. As onze crianças da creche na Lapônia vivenciam a língua inari sámi de forma prática e envolvente.
A prioridade para participar do programa são as crianças de famílias que já falam a língua, mas vagas também são oferecidas para aquelas que não possuem o conhecimento.
Desafios e Perspectivas
Apesar do sucesso inicial, a expansão do programa enfrenta desafios. A falta de recursos, incluindo a escassez de professores qualificados, é um obstáculo significativo. Embora as línguas sámi (o sámi do norte, o sámi de Inari e o sámi skolt) sejam reconhecidas como oficiais, a demanda por professores aumenta à medida que as crianças da creche crescem e acessam o ensino fundamental e médio.
O futuro da língua inari sámi depende da continuidade desse projeto inovador e do investimento em sua preservação.
