Gestor de Fundo Verde Aponta Cenário Negativo para a Economia Brasileira
Luis Stuhlberger, gestor do lendário fundo Verde Asset, que administra R$ 16 bilhões, emitiu um alerta pessimista sobre o futuro da economia brasileira até 2026. Em um evento do UBS BB, Stuhlberger argumentou que os fundamentos da economia nacional estão “insanos”, sustentados por uma fórmula de endividamento insustentável.
O gestor ressaltou que o modelo de crescimento atual não se sustenta no tempo, e que o mercado pode se animar com anúncios pontuais, mas o problema fiscal real surgirá mais adiante. Ele projetou que, sem um governo com políticas mais eficazes, a dívida pública pode ultrapassar 80% do PIB ao final do mandato atual.
Estratégias de Proteção e Hedge Financeiro
Diante das incertezas eleitorais, Stuhlberger implementou estratégias de proteção para a carteira de investimentos. Ele descreveu o uso de “hedges” como uma forma de seguro contra perdas, apostando contra a exposição atual. Mesmo em cenários favoráveis ao governo em exercício, ele manteve opções de proteção, reconhecendo a possibilidade de um cenário de perda de 20% nos ativos tradicionais, mas buscando um ganho de 1% com o hedge.
A decisão de proteger o patrimônio, segundo ele, também é uma forma de lidar com a frustração política.
Preocupações com o Mercado e o Câmbio
Stuhlberger expressou preocupações com a descalibração de alguns fundamentos da economia brasileira, incluindo o câmbio, que está “extremamente fora do lugar” e o juro longo, que também está estressado. Ele acredita que o valor justo do dólar estaria próximo de R$ 4,40, e que o mercado tende a se ajustar a essa cotação quando houver uma mudança política.
O gestor criticou a gestão do Tesouro Nacional, que continua emitindo títulos de longo prazo sem levar em conta essa distorção, e observou um fluxo global significativo de investidores estrangeiros mantendo cerca de US$ 36 trilhões nos Estados Unidos.
Análise da Expansão Fiscal e o “Fantasma Fiscal”
Stuhlberger atribuiu a resiliência da economia brasileira à expansão fiscal, que impulsiona o consumo e o crescimento das empresas. Ele destacou que cerca de 112 milhões de brasileiros recebem algum tipo de pagamento do governo mensalmente. O gestor alertou para o “fantasma fiscal”, que se manifesta quando o Banco Central não consegue elevar as taxas de juros para conter a inflação devido à insustentabilidade da dívida pública.
Bruno Coutinho, CEO da Mar Asset, complementou a análise, ressaltando que, no Brasil, o Estado é o protagonista da economia, diferente de economias desenvolvidas, onde a política monetária dita o ritmo.
