Luiz Mendlowicz Alerta: Bolha da IA e Ajustes Estratégicos no Mercado Financeiro
Luiz Mendlowicz alerta para a possível bolha da IA no mercado financeiro, com foco na precificação da narrativa e impacto da liquidez. Acompanha demissões por IA e o papel do Fed, defendendo diversificação e rebalanceamento da carteira
Bolha da IA: Uma Nova Dinâmica no Mercado Financeiro
No final de 2025, a discussão sobre a possível bolha da inteligência artificial (IA) deixou de ser um tema restrito a nichos e se tornou uma questão central nas estratégias de investimento. O economista e criador do canal Economista Sincero, Luiz Mendlowicz, argumenta que o foco não está em acreditar ou não na IA, mas em entender como o mercado precifica essa narrativa e como a mudança na liquidez pode impactar os investimentos.
Mendlowicz destaca o rali da IA como um fator que acende a bolha, concordando com a preocupação de que a alta tecnológica no apetite por risco. Ele aponta para a complexa rede de investimentos cruzados e parcerias no setor, que cria interdependência entre empresas e amplifica o efeito dominó quando o humor do mercado muda.
Gigantes como a Nvidia e a Intel, por exemplo, estão ampliando sua presença em tecnologia, inclusive com movimentos acionários que ganham peso na precificação.
Demissões por IA: Uma Justificativa em Ajuste
Outro ponto levantado por Mendlowicz é o fenômeno das demissões por IA. Em 2025, empresas nos EUA atribuíram cerca de 55 mil demissões à adoção de inteligência artificial, segundo dados compilados pela consultoria Challenger, Gray & Christmas e reportagens baseadas nesses levantamentos.
O economista questiona o uso da IA como explicação padrão para cortes, argumentando que a justificativa funciona como proteção reputacional em momentos de ajuste de custos e correção de excesso de contratações.
Ele aponta que a mudança de postura ganhou velocidade após a redução ampla no antigo Twitter (atual X) promovida por Elon Musk, um episódio que reforçou a ideia de “enxugamento possível” dentro das big techs.
O Impacto dos Juros e o Fed
Para Mendlowicz, o eixo macro ainda é o Federal Reserve (Fed). A lógica é simples: quando os juros nos EUA cedem, o investidor tende a buscar mais risco; quando eles resistem, o capital ganha incentivo para ficar em ativos dolarizados e de menor volatilidade.
Um PIB dos EUA mais forte pode ser um problema se limitar a queda de juros, o que devasta a economia mundial e interrompe o fluxo de capital para mercados emergentes como o Brasil.
Diversificação e Aporte com Método
Mendlowicz defende rebalanceamento: reduzir concentração em tecnologia, revisar pesos e buscar setores com demanda recorrente. A lista de áreas citadas por ele passa por energia, saneamento e bancos, além de ativos reais e exposição internacional com critério.
O objetivo é atravessar ruídos sem depender de uma única narrativa. “A crise é amiga do investidor na hora de fazer o aporte… vamos tentar pensar a longo prazo porque é isso que dá dinheiro”, concluiu, ao lembrar o estilo de Warren Buffett de manter posições por anos em empresas que geram caixa.
Em 2026, a pergunta prática é: sua carteira está montada para um mercado que pode alternar entre euforia e correção? Se a resposta for “não sei”, o sinal está dado, e o ajuste pode começar com menos concentração e mais disciplina. E, sim, com atenção redobrada à bolha da IA.
Autor(a):
Redação
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