Marco Freire Alerta: IA Não é Bolha, Impacto Econômico Começa!
Marco Freire alerta: IA não é bolha! Gestor da Kinea Investimentos critica excesso de otimismo e pessimismo sobre o futuro da Inteligência Artificial. Descubra o que ele tem a dizer sobre agentes de IA e o impacto nos empregos
Discussão Sobre a Inteligência Artificial: O Mercado Está Superestimando o Impacto
A discussão sobre uma possível bolha de inteligência artificial (IA) pode estar olhando para o problema errado. Marco Freire, gestor de investimentos da Kinea Investimentos, argumenta que o mercado tem alternado rapidamente entre extremos — primeiro, temendo excesso de otimismo tecnológico e, agora, projetando um cenário quase apocalíptico para empregos e crescimento global.
Durante um painel no BTG Summit, evento organizado pelo BTG Pactual, Freire defendeu que a tecnologia ainda está em estágio inicial e que o impacto econômico mais profundo da IA está apenas começando. “O mercado saiu, em dois ou três meses, de dizer que era uma bolha efêmera para afirmar que a IA vai acabar com todos os empregos do planeta.
Claramente não é nenhum dos dois”, disse.
A Era dos Agentes de Inteligência Artificial
Na avaliação do gestor, a inteligência artificial ainda está nos primeiros anos de desenvolvimento relevante, longe de caracterizar uma bolha clássica. Segundo Freire, o mercado tende a subestimar a velocidade de adoção prática da tecnologia, que agora começa a sair da fase experimental para aplicações reais no cotidiano e nas empresas.
Os primeiros anos foram marcados pelo uso de modelos conversacionais, capazes de executar tarefas pontuais. Agora, o avanço estaria na chegada dos chamados agentes de IA, sistemas capazes de atuar de forma autônoma e executar processos complexos. “Esse é o grande tema de investimentos do ano — e acredito que dos próximos também”, afirmou.
Impactos nos Empregos
O gestor citou como marco recente o lançamento de agentes desenvolvidos pela Anthropic, concorrente da OpenAI. Segundo ele, a principal mudança não está apenas na automação de funções, mas no caráter recursivo da inovação tecnológica. A lógica é simples: se máquinas passam a desenvolver novas soluções tecnológicas em ritmo acelerado, o ciclo de inovação se torna exponencial. “Você começa a perceber que, em questão de semanas, surgem programas voltados para diferentes profissões”, pontuou.
Dificuldade de Identificar Vencedores
Apesar do potencial disruptivo, o gestor considera exagerado o pessimismo atual em relação ao mercado de trabalho. Freire estima que a inteligência artificial pode substituir cerca de 25% dos empregos globais no longo prazo, mas ressalta que transformações tecnológicas historicamente também criam novas ocupações. “Tecnologia é sempre assim: você perde alguns empregos e são criados outros”, disse o gestor. “Se você pega os empregos que existem hoje em relação aos de 80 anos atrás, 60% não existiam”, completou.
Cautela e o Cenário Econômico
Ainda assim, Freire defende que a adaptação será gradual. “A ruptura no mercado de trabalho vai ser relevante, mas isso é aos poucos. Nós ainda estamos aprendendo a usar esses agentes”, afirmou. É difícil identificar vencedores, alerta BTG Volt.
Diante desse cenário, o gestor do BTG Volt defende que a exposição à bolsa americana deve se concentrar nos segmentos diretamente ligados à infraestrutura de processamento e desenvolvimento da IA, onde a demanda tende a ser mais previsível.
O Dólar no Centro da Estratégia
O gestor do BTG Volt demonstrou cautela com o chamado excepcionalismo fiscal norte-americano, mas ponderou que ainda não existe alternativa capaz de substituir o papel global do dólar. Para ele, a moeda norte-americana só perderia protagonismo caso outro país assumisse a liderança do crescimento econômico mundial — algo que, no momento, não parece provável. “Tenho muita dificuldade de vender dólar”, afirmou, acrescentando que argumentos baseados apenas em diversificação de reservas ainda não são suficientes para justificar uma mudança estrutural.
Freire, por sua vez, rejeitou interpretações associadas à perda de credibilidade institucional dos Estados Unidos ou. “Apesar de todos os ruídos de Trump com a guerra comercial e do debate sobre o fim da Pax Americana, em que os EUA se colocaram como a polícia do mundo… o movimento do dólar foi mais simples.” Segundo ele, dois fatores foram determinantes: “O dólar ficou fraco porque a Europa surpreendeu mais no crescimento econômico do que os EUA e porque houve um grande pacote de expansão fiscal em defesa puxado pela Alemanha”.
Cenário Doméstico
No mesmo painel, Bruno Serra, portfolio manager do Itaú Asset Management, abordou o cenário doméstico. Na avaliação dele, o início dos cortes de juros deve começar com redução de 0,50 ponto percentual (pp), mas o Banco Central pode acelerar o ritmo posteriormente, entregando ao menos dois cortes de 0,75 pp.
A expectativa de Serra é de que a Selic encerre 2026 em torno de 11,5%, mas o gestor não descarta um cenário ainda mais favorável. Sobre as eleições deste ano, o gestor afirmou não ter convicção sobre o resultado, mas vê maior previsibilidade econômica caso o país entre em um novo ciclo político mais moderado. “Se alguém disser que algum dos dois — a esquerda ou a direita — tem mais de 60% de probabilidade de ganhar, vou dizer que está errado.
Mas tenho uma opinião forte de que, se o Lula for eleito, o próximo ciclo político será mais ‘normal’”.
Autor(a):
Redação
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