Mercado Brasileiro e o Horizonte da Selic
Nos últimos meses, o mercado brasileiro tem acompanhado atentamente a expectativa sobre a futura trajetória da taxa Selic. Para muitos investidores, uma redução na Selic representava um gatilho capaz de impulsionar a bolsa, aliviar o balanço das empresas e devolver fôlego às empresas mais afetadas pelo aperto monetário. Essa leitura influenciou o humor de casas internacionais, como o Bank of America (BofA), que recentemente elevou o Brasil para compra.
Endividamento Corporativo e a Realidade Atual
No entanto, em um cenário onde boa parte das companhias acumulou dívidas, a simples queda da Selic não garante uma solução. O endividamento corporativo, somado a outros fatores, como a pressão sobre os preços das commodities, tem gerado dificuldades para muitas empresas.
A Importância da Política Fiscal
Os gestores de investimento acreditam que o verdadeiro gatilho para 2026 é a política fiscal do governo. A persistente pressão fiscal do Brasil, com o governo consumindo a liquidez do mercado, torna o crédito escasso e caro, dificultando a recuperação das empresas.
Oportunidades e Riscos
Embora a queda da Selic possa gerar expectativas de valorização das ações, os gestores alertam para a importância de analisar cuidadosamente o balanço das empresas e a geração de valor. A confusão entre o alívio financeiro e um verdadeiro turnaround (virada) das empresas pode levar investidores a tomar decisões equivocadas.
Braskem, Raízen e a Necessidade de Reestruturação
Empresas como Braskem e Raízen, que enfrentam dificuldades financeiras e operacionais, exigirão reestruturações mais profundas, com a possível conversão de dívida em ações ou descontos para credores. A MRV, por sua vez, precisará de capital para regularizar sua situação financeira.
Conclusão: Um Cenário Complexo
Em resumo, a queda da Selic não é uma solução universal para os problemas do mercado brasileiro. A recuperação das empresas dependerá, em grande parte, da política fiscal do governo e da capacidade das empresas de gerar valor e reduzir suas dívidas. Investir em empresas endividadas exige cautela e análise criteriosa, evitando a armadilha de confundir oxigênio com cura.
