Mercado Revisa Projeções com Cenário Global Incerto
O mercado financeiro iniciou a semana com ajustes e uma queda na força do dólar americano, influenciado por tensões geopolíticas e decisões de bancos centrais. A situação complexa, que inclui o conflito entre Estados Unidos e Irã e restrições no Estreito de Ormuz, impactou a moeda norte-americana, que apresentou uma leve recuperação em relação às perdas anteriores, mas não conseguiu reverter o sinal negativo.
No dia 27, o dólar fechou a R$ 4,9821, representando uma queda de 0,32%.
O Banco Inter revisou suas projeções para o câmbio em 2026, antecipando uma redução da meta de R$ 5,40 para R$ 5,10. Essa mudança reflete o enfraquecimento global do dólar e a melhora nos termos de troca da balança comercial brasileira, segundo a avaliação de Rafaela Vitória, economista-chefe do Inter, e André Valério, gerente de pesquisa macroeconômica.
Pressão Inflacionária e Ajustes no IPCA
A alta dos preços do petróleo, atingindo níveis elevados, também contribui para o cenário, favorecendo países exportadores como o Brasil. Essa situação intensifica a pressão inflacionária, limitando o espaço para cortes nas taxas de juros. O Banco Inter elevou a projeção para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2026, de 4,3% para 4,9%.
Decisões de Política Monetária e o Futuro das Taxas
A semana traz decisões de política monetária tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, com foco nas decisões dos bancos centrais. O Banco Inter espera um corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, para 14,50%, na quarta-feira (29). Apesar da inflação em ascensão, o banco acredita que o Banco Central manterá o ritmo gradual de afrouxamento, projetando uma taxa Selic em 12,75% ao final de 2026.
Cenário Econômico Global e Brasileiro
O cenário econômico global apresenta sinais de resiliência nos Estados Unidos, com geração de empregos e um crescimento ainda robusto. No entanto, o impacto do conflito com o Irã já se faz sentir na inflação, principalmente via o aumento dos preços da energia.
O Inter ressalta que há indícios de pressão inflacionária mais ampla, tanto em bens quanto em serviços, além de sinais de aceleração dos salários.
Nos Estados Unidos, as estimativas para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre recuaram, indicando uma desaceleração. No Brasil, a projeção de crescimento do PIB permanece em 1,8%, impulsionada principalmente pelo agronegócio e pela indústria extrativa.
A balança comercial deve apresentar um superávit acima de US$ 80 bilhões em 2026, sustentado por exportações de soja e petróleo.
Riscos e Desafios
O pano de fundo fiscal continua sendo um ponto de atenção, com incertezas diante da possibilidade de estímulos ao consumo em ano eleitoral. O déficit fiscal projetado para 2026 é de 0,7% do PIB, elevando o custo da dívida, que pode atingir 83% do PIB.
Esses fatores podem impactar o cenário econômico e influenciar as decisões dos bancos centrais.
