Mercado em crise: Especialista alerta para riscos em títulos de renda fixa no Brasil

Acreditando em um cenário delicado para o crédito privado no Brasil, o mercado financeiro enfrenta desafios significativos após uma série de eventos que impactaram a confiança dos investidores. A situação atual demonstra fragilidades em grandes empresas, resultando em retornos limitados para títulos como debêntures, CRIs e CRAs.
Alfredo Menezes, CEO e CIO da Armor Capital, destaca que os spreads aplicados a títulos corporativos estão “apertados demais”, não refletindo adequadamente o risco de inadimplência. Spreads são os percentuais de risco que um título de renda fixa privado deve pagar a mais em relação a títulos públicos com o mesmo prazo e indexador.
Menezes ressaltou que, diante da possibilidade de calote, o ganho oferecido é insuficiente, e não correria esse tipo de exposição na renda fixa atualmente.
Essa avaliação surge em um contexto de incertezas recentes, envolvendo empresas como Americanas, Light, Grupo Pão de Açúcar, Raízen e Braskem. O endividamento excessivo, recuperações judiciais e extrajudiciais, e a fraude na Americanas, impactaram negativamente os preços das debêntures, gerando um efeito-contágio que afetou outros títulos de dívida.
Menezes recomenda buscar títulos emitidos pelos grandes bancos, especialmente os LCIs e LCAs, que são isentos de imposto de renda e, em alguns casos, indexados à inflação, além de contarem com a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
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Apesar disso, o gestor adverte contra debêntures incentivadas de infraestrutura, recomendando priorizar aquelas de menor risco, emitidas por empresas sólidas. Menezes enfatiza a importância de escolher títulos indexados à inflação, isentos de IR, para proteger o investidor contra a alta dos preços, considerando que no Brasil o imposto incide sobre o ganho nominal, e não sobre o real.
Ele também desaconselha títulos prefixados, que não se adaptam à inflação, tornando-se mais voláteis e arriscados.
Com dúvidas sobre o nível de juros reais de equilíbrio da economia brasileira, especialmente em um cenário de expansão fiscal, o risco de novas altas nas taxas não pode ser descartado. Por isso, o gestor prefere estratégias que ofereçam maior proteção ao longo do tempo, como os títulos atrelados à inflação, menos voláteis.
Autor(a):
Redação
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