A Batalha do E-commerce Brasileiro: Uma Nova Temporada em 2026
A temporada de 2026 da batalha do e-commerce brasileiro já está em andamento, com os mesmos protagonistas em cena: Mercado Livre (MELI34), consagrado no setor, e Shopee, uma aspirante dedicada. No entanto, um coadjuvante conhecido retorna com força total: a Amazon (AMZO34).
Adicionalmente, dois novos nomes intensificam a disputa: TikTok Shop e Temu. O iFood também contribui para aumentar as tensões na tela, criando um cenário competitivo complexo.
Participantes Chave
O Mercado Livre, com sua longa trajetória, continua sendo o líder de mercado, enquanto a Shopee desafia sua posição. A Amazon, que antes era uma força menor, está redesenhando as expectativas competitivas, impulsionada por uma estratégia agressiva.
TikTok Shop e Temu representam novos entrantes, com o TikTok Shop remodelando padrões de mercado.
A Amazon e Sua Estratégia
A Amazon, que antes era uma força menor, está agora focada em atrair o maior número possível de vendedores. Uma medida recente permite que os vendedores entrem no marketplace sem pagar comissões e recebam reembolso de taxas até 30 de janeiro, em troca de cumprir condições como investir 3% das vendas em publicidade, manter mais de 80% das unidades no Fulfillment by Amazon (FBA) e ampliar volumes dentro da operação logística da companhia.
A empresa também zerou todas as taxas de armazenamento e envio do FBA na Black Friday.
Logística e Fulfillment
O avanço da malha logística da Amazon vem após a geração de volume. À medida que a plataforma atrai mais vendedores em uma região, passa a fazer sentido criar hubs logísticos locais, o que melhora a eficiência das entregas. O Mercado Envios já dá suporte a cerca de 90% do volume de vendas do Mercado Livre, e a Shopee opera uma rede nacional densa.
A Influência de Trump
O movimento agressivo da Amazon evidencia a intenção da empresa de construir fidelidade entre pequenas e médias empresas, um ataque direto às movimentações recentes de pares como o Mercado Livre e a Shopee. Essa estratégia pode estar relacionada ao incômodo com o avanço asiático por aqui, e ao aumento do embate entre os Estados Unidos e a China.
Tendências do Mercado
Para o BTG Pactual, um dos principais fatores que impulsionarão as empresas nessa competição é a densidade logística (fulfillment). O frete grátis se tornou um requisito básico, com um ganho de conversão de 20% a 30% quando oferecido, forçando as plataformas a competirem em escala e eficiência logística.
O iFood, Rappi e Zé Delivery estão redefinindo as expectativas dos consumidores, com entregas em menos de 30 minutos se tornando padrão em capitais.
Social Commerce e o Futuro
O social commerce, com o TikTok Shop remodelando padrões de mercado, representa a próxima onda disruptiva no varejo. O TikTok Shop alcançou US$ 1 milhão por dia em GMV poucos meses após o lançamento, evidenciando a velocidade com que novos entrantes conseguem ganhar relevância.
A geração Z descobre produtos primeiro no TikTok, o que impulsiona o crescimento do social commerce.
Projeções para 2026
Se excluirmos os players da Ásia, a estimativa do BTG Pactual é que o mercado tenha terminado 2025 com a seguinte distribuição baseada no volume de vendas: Mercado Livre, com 47% de participação, seguido por Amazon e Magazine Luiza, com 12% cada.
Já se colocarmos os players da Ásia, a Shopee aparece em segundo lugar, com 14% de participação. Considerando empresas como Temu, Shein e TikTok Shop, o pedaço do Meli recua para 39%.
Conclusão
Apesar da fragmentação e da influência do social commerce, o BTG ainda vê o Mercado Livre como o vencedor dessa batalha no longo prazo. A competição intensa e a subpenetração do comércio on-line no Brasil sustentam uma migração de longo prazo do físico para o digital.
