A Moura Dubeux (MDNE3) está se preparando para um movimento significativo no mercado financeiro. A empresa anunciou na quarta-feira (14) a intenção de emitir quase 9,7 milhões de ações ordinárias através de uma oferta pública primária. De acordo com a ata do conselho, a operação poderá ser expandida em até 100% do volume inicial.
A oferta será restrita a investidores profissionais, garantindo prioridade aos acionistas atuais para subscrever até a totalidade das ações, conforme informado pela empresa.
Potencial Expansão da Oferta
O preço por ação ainda está sendo definido, mas a expectativa é que a coleta de intenções de investimento guie o desenvolvimento deste novo capítulo. A empresa busca capitalizar a demanda do mercado, visando impulsionar seu crescimento.
Impacto na Bolsa de Valores
As ações da companhia apresentaram queda de 3,98% na B3 (bolsa brasileira) na última sessão. Essa desvalorização foi motivada pela intenção da empresa de realizar a oferta de ações, com um volume inicial estimado entre R$ 250 milhões e R$ 500 milhões.
No dia 15, a MDNE3 continuou em declínio, com uma queda de -1,33% por volta do meio-dia.
Análise do Safra
Segundo a avaliação do Safra, a operação pode gerar cautela no curto prazo, o que explica o recuo na bolsa. A diluição de ações, especialmente em um cenário de múltiplos comprimidos (aproximadamente 4,5 vezes o lucro), é um fator de atenção.
Com base no último preço de fechamento da ação (R$ 25,90), a emissão no cenário base envolveria cerca de 9,7 milhões de novos papéis, representando uma diluição de aproximadamente 10,2%. Em caso de expansão total da oferta, esse percentual subiria para 18,6%.
Destinação dos Recursos Captados
A expectativa é que os recursos obtidos sejam direcionados principalmente para apoiar e acelerar o crescimento da marca Única, divisão da incorporadora voltada para o segmento de baixa renda. Em outubro de 2025, a Moura Dubeux já havia anunciado uma joint venture com a Direcional (DIRR3) para avançar no nicho de moradias populares.
Além disso, os recursos podem ser utilizados para o pagamento antecipado de dividendos, que somam cerca de R$ 352 milhões, distribuídos trimestralmente até 2027, e para reforçar o caixa para fins corporativos gerais, aumentando a flexibilidade financeira da empresa.
Projeções e Impacto no Free Float
Apesar da diluição potencial de até 19% para os acionistas, o Safra considera a iniciativa estratégica, pois o patrimônio líquido da companhia deve encerrar 2025 em cerca de R$ 1,5 bilhão, um nível considerado limitado diante da escala atual do negócio.
A instituição projeta que, em um cenário sem a participação dos controladores, o free float poderia subir de 64,1% para 67,4%, o que tende a melhorar a liquidez dos papéis.
