Novo Governo Enfrenta Incertezas e Desafios Fiscais: Análise de Especialistas do BTG Pactual

Copom e o futuro dos juros: especialistas alertam para incertezas! Tiago Berriel projeta cortes de juros, mas desafios fiscais e cenário eleitoral ameaçam. Descubra as projeções e o debate sobre o futuro da economia brasileira

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(Imagem de reprodução da internet).

Cenário de Incerteza e Desafios Fiscais para o Novo Governo

A recente reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que manteve a taxa Selic em 15%, gerou debates sobre o futuro dos cortes de juros ao longo de 2026. Tiago Berriel, sócio-chefe do BTG Pactual, projetou um corte total de 3 pontos percentuais na taxa básica de juros para o ano, com a possibilidade de uma redução adicional de até 4,5 pontos percentuais.

A análise foi apresentada durante o painel da CEO Conference 2026, mediado por Stefanie Birman, e destacou a alta incerteza do cenário político, especialmente com o ano eleitoral se aproximando. Berriel ressaltou que a previsão de um ciclo de juros tão amplo em um ano eleitoral é incomum.

Desafios Fiscais e a Necessidade de Controle de Gastos

A avaliação do cenário econômico também foi complementada pela análise de Mansueto Almeida, economista-chefe do BTG Pactual. Almeida alertou para a situação das contas públicas, defendendo o controle de gastos, independentemente do futuro governo.

Ele apontou que o governo anterior aumentou a arrecadação devido ao crescimento das despesas, elevando o patamar dos juros no país. Almeida destacou que o aumento das despesas públicas nos últimos oito anos, atingindo 9%, contribuiu para o aumento da dívida pública, que atualmente deve fechar o ano com um déficit nominal médio de 8,5% do Produto Interno Bruto (PIB), considerado elevado em comparação com outros países como França, Inglaterra e EUA, que possuem déficits nominais de 5% a 6% do PIB.

Perspectivas de Crescimento e o Ajuste Fiscal

Almeida também levantou preocupações sobre as perspectivas de crescimento econômico brasileiro, considerando que os fundamentos da economia não são favoráveis e que será difícil repetir o desempenho dos anos anteriores. Ele projetou um crescimento potencial do PIB abaixo de 1,5%, devido ao crescimento da força de trabalho (0,8% ao ano) e à produtividade (1% ao ano), o que dificulta um crescimento acima de 2%.

Ele enfatizou que, sem um ajuste fiscal pelo lado das despesas, o cenário se torna ainda mais complicado, com a dívida pública continuando a crescer rapidamente e limitando a capacidade de reduzir os juros.

O Papel dos EUA e o Debate sobre Juros

O debate sobre a política monetária também se estendeu aos Estados Unidos, onde Eduardo Loyo, sócio do BTG Pactual, defendeu uma postura “hawkish” por parte do Federal Reserve (Fed). Loyo argumentou que seria mais adequado uma abordagem com mais disposição para viabilizar a desinflação que ainda está por fazer (a chamada “última milha”) e reduzir a chance de a inflação permanecer acima da meta de 2% do Fed, mesmo correndo o risco de que, por algum tempo, a inflação fique abaixo dos 2%.

Ele ressaltou que, apesar desse argumento, quase todos querem ver os juros norte-americanos caírem, onde atualmente estão na faixa entre 3,50% e 3,75% ao ano.

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