Em um setor onde o tamanho é fundamental para a sobrevivência, a OceanPact (OPCT3) deu um passo importante. A empresa anunciou, na última sexta-feira (28), a união de negócios com a CBO Holding. Essa operação cria uma plataforma que conta com 73 embarcações e já possui contratos firmados no valor de aproximadamente R$ 13,6 bilhões.
Os valores exatos da transação não foram divulgados.
Se tudo correr conforme o planejado, a nova entidade se tornará uma das maiores plataformas de apoio marítimo do Brasil, com atuação que se estende além das fronteiras nacionais e com a força necessária para competir em projetos de grande porte e com margens de lucro mais elevadas.
A união da OceanPact (OPCT3) representa um avanço estratégico para a empresa.
Detalhes da Transação
Para a união das empresas, a OceanPact emitirá cerca de 275 milhões de novas ações, que serão oferecidas aos acionistas da CBO. A relação de troca será de aproximadamente duas ações da OceanPact por cada uma da CBO. Ao final do processo, os atuais acionistas da CBO terão cerca de 58% do capital da companhia combinada.
A OceanPact, atualmente, vale cerca de R$ 1,9 bilhão na bolsa, com ações negociadas a R$ 9,56. Entre os principais acionistas da OceanPact, destacam-se Flávio Nogueira Pinheiro Andrade, com 30,75%, e a gestora Dynamo, com 12,3%.
Na CBO, o capital é distribuído entre nomes importantes do setor. Fundos ligados ao Pátria detêm cerca de 38%, o BNDES Participações (BNDESPar) possui 19% e a Vinci também tem uma participação relevante, com aproximadamente 38% das ações, conforme dados da companhia.
Pacto de Acionistas e Aprovações
O acordo inclui um novo pacto de acionistas com duração de cinco anos. Nos dois primeiros anos, haverá compartilhamento de controle, além de um período de restrição à venda de ações (lock-up). A operação ainda precisa ser aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), pelos acionistas em assembleias marcadas para 30 de março de 2026, e também receber o aval de outros órgãos reguladores.
A sinalização inicial é positiva, com o apoio declarado por acionistas importantes da CBO, incluindo o BNDES.
Expansão e Estratégia
A combinação da OceanPact e da CBO resulta em um total de 73 embarcações e um backlog de contratos de R$ 13,6 bilhões. O objetivo é aumentar a escala da operação para disputar contratos maiores e melhorar a estrutura de capital da empresa. Empresas maiores geralmente conseguem acesso a linhas de crédito com condições mais favoráveis, o que é crucial em um setor que exige muitos investimentos e financiamentos.
Além disso, a diversificação da frota e da base de clientes pode reduzir a instabilidade e aumentar a previsibilidade das receitas. A empresa também pretende limpar seu balanço antes da fusão, separando ativos relacionados a disputas judiciais com a Petrobras (PETR4) sobre contratos rescindidos.
Os valores que forem recebidos nessas ações judiciais serão destinados exclusivamente aos acionistas da OceanPact antes do fechamento da operação.
Conclusão
A fusão entre OceanPact e CBO representa um marco estratégico para o setor marítimo brasileiro, com potencial para impulsionar o crescimento e a competitividade das empresas envolvidas.
