Oncoclínicas (ONCO3) enfrenta preocupações após resultados fracos no quarto trimestre de 2025
A Oncoclínicas (ONCO3) divulgou um desempenho aquém do esperado no quarto trimestre de 2025, reacendendo preocupações no mercado financeiro sobre sua saúde financeira. O resultado aponta um prejuízo líquido de R$ 1,52 bilhão no período analisado.
Este valor representa um aumento significativo em relação ao ano anterior, quando a perda registrada foi de R$ 759,2 milhões. Soma-se a isso o alerta dos auditores, que sinalizaram incertezas relevantes quanto à continuidade operacional da empresa, pressionando ainda mais as ações na Bolsa.
Volatilidade e Desempenho Abaixo das Expectativas
A ação ONCO3 manteve-se volátil na Bolsa de Valores. Após cair 17% na quarta-feira, dia em que a empresa confirmou a avaliação de buscar proteção judicial contra credores, o movimento de baixa persistiu. Por volta das 15h, o papel registrava queda de 4,44%, cotando a R$ 1,29.
Análise Detalhada dos Indicadores Financeiros
O desempenho geral ficou abaixo das projeções de mercado em diversas métricas. O prejuízo por ação ajustado atingiu R$ 0,82, um salto considerável comparado aos R$ 0,17 registrados no mesmo trimestre de 2024.
O EBITDA ajustado somou R$ 138 milhões, indicando uma queda de aproximadamente 45% em relação ao ano passado e ficando abaixo das estimativas de consenso. A receita, por sua vez, sofreu redução devido à diminuição de volumes.
Impactos Operacionais e Eventos Não Recorrentes
A queda na receita foi atribuída à estratégia da companhia de reduzir a exposição a pagadores considerados de menor qualidade. Além disso, restrições no atendimento, causadas pela oferta limitada de medicamentos, também impactaram os resultados.
O balanço foi pesado por eventos extraordinários, como impairments em unidades operacionais no valor de R$ 711 milhões. Houve também baixa de R$ 214 milhões em investimentos de curto prazo e equivalentes de caixa.
Dúvidas sobre Continuidade Operacional e Busca por Soluções
Um ponto de grande sensibilidade foi levantado pelos auditores: o capital de giro fechou o período com um saldo negativo de R$ 2,3 bilhões. Esse quadro se agravou após o descumprimento de covenants financeiros em contratos de dívida.
Consequentemente, a empresa precisou reclassificar obrigações de longo prazo para o curto prazo, dando aos credores o direito de exigir vencimento antecipado. A própria Oncoclínicas reconheceu que esse conjunto de fatores levanta dúvidas significativas sobre sua capacidade de manter as operações.
Estratégias para Reorganização Financeira
Diante desse cenário, a Oncoclínicas avalia buscar amparo judicial para se proteger temporariamente das cobranças dos credores, conforme divulgado em fato relevante na quarta-feira.
A companhia também está negociando possíveis aportes de capital e rearranjos societários. Estão em análise propostas, como um aporte de R$ 500 milhões da Porto, que envolveria a criação de uma nova empresa para receber as clínicas de oncologia.
Adicionalmente, o Fleury foi incluído nas discussões, e o Mak Capital Fundo, detentor de 6,3% dos papéis, apresentou uma proposta de R$ 500 milhões, condicionada à realização de uma assembleia geral extraordinária marcada para 30 de abril.
