Oncoclínicas Suspende Projeções Financeiras para o Mercado
A Oncoclínicas (ONCO3) comunicou ao mercado a suspensão das projeções financeiras (guidance) que havia divulgado em outubro. Essa informação foi formalizada em um fato relevante na noite de quarta-feira, dia 22.
Anteriormente, a empresa havia projetado uma receita líquida de R$ 6,29 bilhões para 2026 e R$ 6,98 bilhões para 2027. Os números também incluíam um lucro bruto estimado de R$ 2,10 bilhões em 2026 e R$ 2,34 bilhões em 2027.
Detalhes das Projeções Anteriores
Em outubro, a Oncoclínicas também havia estimativas para o resultado operacional, medido pelo Ebitda, excluindo planos de incentivo de longo prazo. As projeções eram de R$ 1,08 bilhão para 2026 e R$ 1,26 bilhão para 2027.
Além disso, a companhia havia previsto um gasto de capital (capex) de R$ 80 milhões para ambos os anos, 2026 e 2027. A decisão de suspender o guidance se deve a fatores macroeconômicos que o setor de saúde tem enfrentado nos últimos anos.
Desempenho Recente e Estratégia de Expansão
Os resultados recentes da Oncoclínicas apontaram um prejuízo líquido de R$ 1,516 bilhão no quarto trimestre de 2025. Este valor representa um aumento nas perdas, comparado aos R$ 759 milhões registrados no mesmo período de 2024.
O resultado operacional ajustado pelo Ebitda ficou em R$ 238,8 milhões, marcando um recuo de 24% em relação ao quarto trimestre de 2024. A receita líquida também caiu, ficando 12,6% abaixo dos R$ 1,37 bilhão registrados em 2024.
Evolução do Negócio e Desafios Operacionais
Inicialmente, o foco da empresa era em tratamentos oncológicos. Contudo, após o IPO em 2021, a Oncoclínicas ampliou seu escopo, passando a atuar em clínicas que realizam diagnóstico e tratamentos de alta complexidade, como radioterapia e quimioterapia.
Para sustentar essa expansão, a estratégia incluiu aquisições de hospitais. No entanto, essa movimentação enfrentou dificuldades, visto que a gestão de áreas hospitalares além da oncológica não era o core de expertise da companhia.
Situação Financeira e Reestruturação do Conselho
Como consequência, a empresa tem enfrentado piora nos resultados, alta alavancagem e um consumo significativo de caixa. Em um esforço para manter a saúde financeira, a companhia passou por diversas captações.
Recentemente, o conselho de administração definiu uma proposta de financiamento que será custeada pela Lumina, em um valor entre R$ 100 milhões e R$ 150 milhões. Esse recurso visa garantir a compra de medicamentos junto à OncoProd, assegurando a cadeia de fornecimento essencial.
Mudanças na Governança Corporativa
Para atender às exigências de MAK e Lumina, o conselho aceitou a renúncia imediata de Bruno Ferrari, que ocupava o cargo de membro e vice-presidente. Mateus Affonso Bandeira, indicado pela MAK, e o CEO Carlos Gil Ferreira foram nomeados para preencher essas vagas até a assembleia de acionistas marcada para 30 de abril de 2026.
Perspectivas Futuras da Companhia
A injeção de capital será garantida pela cessão fiduciária de recebíveis de contratos firmados com operadoras de planos de saúde, hospitais e/ou seguradoras. A gestão continua monitorando de perto o desempenho operacional e financeiro, prometendo manter os acionistas e o mercado informados sobre novos desenvolvimentos.
