Oriente Médio e EUA: O que muda nos investimentos globais após o petróleo?

Oriente Médio e EUA: o que muda nos investimentos globais? Entenda o impacto do Estreito de Ormuz e o futuro do petróleo!

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(Imagem de reprodução da internet).

Impactos do Conflito no Oriente Médio e Cenário de Investimentos Globais

As movimentações no Oriente Médio e seus desdobramentos têm sido determinantes para grande parte das variações nos mercados financeiros recentes. Qualquer sinal emanado dos Estados Unidos, Israel ou Irã é rapidamente precificado pelas bolsas de valores mundialmente.

Para auxiliar investidores interessados em oportunidades no exterior, é crucial entender o cenário atual. Um ponto focal do mercado na região é o Estreito de Ormuz, por onde transita aproximadamente 20% da produção global de hidrocarbonetos.

A Volatilidade do Mercado de Energia

O fechamento do estreito provocou um salto no preço do petróleo, chegando perto dos US$ 120 por barril no início do mês passado. Esse patamar lembra o nível atingido no início do conflito entre Rússia e Ucrânia, em 2022.

Os tipos WTI e Brent encerraram março cotados em torno de US$ 100, representando uma valorização expressiva de 65% comparado ao início de 2026. Analistas apontam que, em um cenário assim, o setor energético seria o principal destaque no primeiro trimestre.

Setores Defensivos e Mudanças no Sentimento do Investidor

No entanto, o destaque não se limitou à energia. Setores considerados mais defensivos, como Utilities, Materiais Básicos e Bens de Consumo, também apresentaram bom desempenho. Segundo Enzo Pacheco, analista da Empiricus, isso reflete preocupações globais com o poder de compra.

Por outro lado, as apostas em crescimento ou na expectativa de cortes de juros tiveram um desempenho negativo. Setores como Consumo Discricionário, Tecnologia e Financeiro ficaram nas últimas posições do trimestre.

A Perspectiva da Política Monetária Americana

Essa retração se deve ao pior cenário percebido para a política monetária nos EUA após os eventos de março. A decisão do Federal Reserve de manter a taxa de juros entre 3,5% e 3,75% era esperada, mas a divergência de um membro do FOMC sinalizou menor disposição do Banco Central americano em retomar cortes no futuro.

A incerteza sobre o conflito no Oriente Médio e seu impacto nas commodities reforçaram essa visão. A curva de juros americana, que antes previa dois a três cortes até o fim do ano, agora mantém a taxa em níveis atuais até, pelo menos, meados de 2027.

Atualizações na Carteira de Ações Internacional

Em meio à turbulência, o analista revisou a carteira de investimentos. Foram retirados os papéis de Amazon (B3: AMZO34 | NYSE: AMZN), Alibaba (B3: BABA34 | NYSE: BABA) e Novo Nordisk (B3: N1VO34 | NYSE: NVO).

A saída da Alibaba ocorreu pela ausência de catalisadores no mês, mesmo com bons resultados no segmento de computação em nuvem. Já sobre a Amazon, o analista acredita que outras teses entre as grandes empresas de tecnologia estão mais atrativas, especialmente aquelas que comprometem caixa no curto prazo para aumentar fluxos futuros.

Justificativas para as Saídas e Entradas

A Novo Nordisk, fabricante do Ozempic, continua enfrentando desafios desde o início de 2026 devido ao aumento da concorrência e à eficácia dos medicamentos em fase de teste. Essas saídas abriram espaço por teses com melhor relação risco-retorno.

Na entrada, foram incluídas ações da Netflix (B3: NFLX34 | Nasdaq: NFLX), Nvidia (B3: NVDC34 | Nasdaq: NVDA) e SLB (B3: S1LB34 | NYSE: SLB). As novas adições visam aproveitar preços importantes em gigantes de tecnologia e expor a carteira ao setor de Energia.

Análise Detalhada das Novas Posições

Sobre a Netflix, o analista aponta a forte queda de mais de 30% desde o final de 2025, após o anúncio da aquisição da WarnerBros Discovery, negócio que não se concretizou. A recuperação parcial ainda deixa a ação distante de seus picos.

A inclusão da Nvidia se justifica pelo anúncio de receitas superiores a US$ 1 trilhão entre 2025 e 2027. Isso sugere US$ 500 bilhões em vendas apenas no próximo ano, um crescimento de 60% sobre o esperado para 2026. A empresa se posiciona no centro da onda tecnológica ao fornecer infraestrutura completa de IA.

Por fim, a alocação em SLB baseia-se na expectativa de manutenção do preço do petróleo em patamares acima do início do ano, somada a uma possível resolução dos conflitos no Oriente Médio. Nesse contexto, a maior fornecedora global de serviços de upstream tende a ser a principal beneficiada.

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