Ouro Encontra Resistência em Cenário de Tensão e Juros Altos
O brilho do ouro perdeu força nesta semana, desencadeando um movimento que evoca os tempos de maior incerteza da crise de Covid-19. O metal precioso sofreu sua terceira queda consecutiva, encerrando o período com uma descida de 10,64%, impactando também outros metais como a prata.
A Comex, divisão de metais da Nymex, registrou o contrato do ouro para abril fechando em baixa de 0,67%, cotado a US$ 4.574,9 por onça-troy.
A magnitude da queda semanal, porém, chama a atenção: 10,64%. Esse desempenho supera a queda de 9,3% registrada em março de 2020, durante o surto global do novo coronavírus. A prata também acompanhou a correção, com o contrato para maio caindo 2,18% na sessão desta sexta-feira (20), encerrando a US$ 69,664 e acumulando uma perda semanal ainda mais expressiva: 14,36%.
A explicação para esse movimento brusco em um ativo tradicionalmente considerado um porto seguro reside em uma combinação de fatores geopolíticos e decisões de política monetária. O conflito entre EUA e Israel contra o Irã, no seu 21º dia, intensificou a tensão com novos ataques de Tel-Aviv contra Teerã.
Embora instalações de petróleo e gás tenham sido poupadas por ordem de Washington, a retaliação iraniana atingiu uma refinaria no Kuwait e explosões foram registradas em Dubai.
Para o mercado, o medo não se limita apenas ao conflito em si, mas também ao seu impacto na inflação. A intensificação da guerra coloca os bancos centrais em um dilema: o aumento dos preços de energia deve pressionar a inflação para cima, ao mesmo tempo em que prejudica o crescimento global.
A aposta em cortes de juros, que antes era predominante, agora parece distante.
Juros no alto por muito mais tempo. Se a inflação é a principal preocupação, o remédio aplicado pelos bancos centrais – juros elevados – amarga o rendimento do ouro. Como o metal não paga juros, ele perde atratividade quando as taxas nas economias desenvolvidas sobem.
O mercado parou de apostar em cortes e passou a precificar um aumento da taxa pelo Federal Reserve (Fed) ainda este ano, em outubro. Mais impressionante ainda é o horizonte para um eventual alívio monetário: a aposta de corte foi adiada para 2027.
