Ouro Recupera Nível Após Sinais de Calmaria no Oriente Médio
A cotação do ouro apresentou uma recuperação nesta semana, impulsionada por sinais de amenização das tensões na região do Oriente Médio. O metal, que vinha em queda desde seu recorde anterior, conseguiu retomar o patamar de US$ 4.800 por onça na quarta-feira, dia 8, conforme dados do TradingView.
Isso levanta um questionamento importante: essa alta será sustentável no longo prazo? Historicamente, a commodity dourada teve sete meses consecutivos de alta, um ciclo que se encerrou em fevereiro deste ano. O pico histórico foi registrado em 28 de janeiro, atingindo US$ 5.589 por onça.
Impacto dos Conflitos Geopolíticos no Preço do Ouro
A sequência de alta foi interrompida pelo conflito entre Estados Unidos (EUA) e Israel contra o Irã, o que fez os preços caírem. Observa-se um padrão: quando surgem possibilidades de esfriamento do conflito, o ouro tende a valorizar, e essa tendência se inverte quando as expectativas não se concretizam.
Isso indica que o metal precioso não absorveu as volatilidades do mercado como um “ativo de segurança”, o que era o esperado em períodos de grande turbulência. Matheus Spiess, analista da Empiricus Research, oferece uma perspectiva otimista, sugerindo que o ouro deve retomar sua trajetória ascendente.
Perspectivas de Médio e Longo Prazo
Segundo Spiess, há espaço para uma tese de médio e longo prazo mais positiva para o metal, especialmente considerando seu papel tradicional como proteção contra a inflação e a incerteza monetária. Ele também acredita que o conflito no Oriente Médio não se arrastará indefinidamente.
Contudo, enquanto o cenário de conflito persistir e os ativos permanecerem voláteis, o especialista antecipa que o ouro enfrentará uma “pressão vendedora”. A alta recente, diante de sinais de paz, aponta para uma demanda latente por um gatilho que reinicie a tendência de alta.
Entendendo a Queda Recente do Ouro
A queda do metal precioso, geralmente associado à busca por segurança, foi explicada pelo analista da Empiricus Research por fatores mais táticos e técnicos do que por mudanças estruturais nos fundamentos. A palavra-chave nesse movimento é a liquidez.
Em momentos de estresse, os investidores tendem a vender os ativos que mais valorizaram recentemente, como o ouro, para obter caixa. A Gavekal, outra casa de análises, corrobora essa visão, apontando que os investidores buscaram realizar lucros acumulados.
Paralelos Históricos e Mudanças de Vetores
A empresa comparou o movimento atual ao início da década de 1970, quando o governo norte-americano suspendeu o lastro do ouro para o dólar. Esse período foi marcado por fortes altas seguidas de correções expressivas, culminando em uma nova tendência de valorização após a recessão.
O analista da Empiricus Research relembrou o período entre a crise de 2008 e o início de 2022, quando o metal se valorizou mesmo com juros altos do Fed. O que mudou foi a percepção de que o dólar perderia relevância, impulsionando o chamado “Debasement Trade”, uma proteção contra a desvalorização de moedas fiduciárias.
O Futuro do Ouro e a Alocação em Carteiras
O cenário atual sugere que o ouro não responde mais apenas à dinâmica tradicional de juros. Ele passa a refletir vetores como o aumento da incerteza global e a demanda estrutural por proteção. A recente tensão entre EUA e Irã fez com que os juros fossem vistos como mais altos por mais tempo, beneficiando o dólar e, consequentemente, pressionando o ouro.
Com o anúncio de um cessar-fogo temporário entre EUA e Irã, e o desejo de Netanyahu de negociar paz com o Líbano, há um potencial benefício para o ouro. O analista ressalta que a perspectiva de um dólar mais fraco globalmente ainda é válida, beneficiando commodities e mercados emergentes como o Brasil.
Recomendação de Alocação
A Empiricus defende a alocação em ouro há anos, sugerindo que uma participação entre 2,5% e 5% do portfólio pode proteger o investidor de erros na política monetária, sem comprometer a diversificação. É crucial construir essa exposição com disciplina e respeitando o perfil de risco.
