O almoço de Páscoa deste ano apresentou uma notícia positiva para os consumidores brasileiros. Os preços das cestas de produtos alimentícios, que tradicionalmente incluem itens como chocolates e bacalhau, registraram uma redução em relação ao ano anterior.
Segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV), a queda nos preços foi de 5,73%, representando o segundo ano consecutivo de deflação (queda de preços) no período.
Em 2025, o recuo nos preços havia sido de 6,77%. Essa tendência de queda nos preços da Páscoa se repetiu, com um desempenho melhorado em comparação com os anos anteriores. Nos últimos quatro anos, houve uma alternância entre períodos de inflação e deflação, com uma variação acumulada de 15,37% nos preços da Páscoa.
Produtos em Destaque na Queda de Preços
A redução nos preços da Páscoa foi impulsionada por algumas mudanças específicas nos preços de determinados produtos. Enquanto a batata inglesa e a cebola apresentaram quedas significativas nos preços (-16,02% e -15,44%, respectivamente), outros itens, como bombons e chocolates, registraram aumentos consideráveis.
A inflação nesses produtos foi de 16,71% no período.
O economista Matheus Dias, do Ibre/FGV, explicou que os repasses das quedas na produção agrícola podem levar tempo para chegar ao consumidor final, especialmente em produtos industrializados. Ele citou o exemplo do chocolate, mesmo com a queda no preço do cacau, principal matéria-prima, que recuou cerca de 60% em relação aos últimos 12 meses.
Fatores que Influenciam os Preços
Além das flutuações na produção agrícola, outros fatores também contribuíram para a dinâmica dos preços da Páscoa. A concentração do mercado, com apenas cinco marcas de bombons e chocolates controlando 83% do mercado, e a variação do dólar, que impacta o custo de insumos como leite, açúcar e fretes, foram apontados como elementos relevantes.
A Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados (Abicab) ressaltou que o preço final dos produtos é influenciado por uma série de fatores, e não apenas pelo preço do cacau. A entidade enfatizou a importância de considerar outros insumos e a dinâmica cambial.
