Petrobras Cobra Juros no Parcelamento do Reajuste do Querosene de Aviação
A Petrobras implementou a cobrança de juros de 1,6% ao mês no parcelamento do reajuste do querosene de aviação (QAV). Essa taxa representa mais de 140% do CDI, uma medida que gerou forte reação negativa entre companhias aéreas e distribuidoras de combustível.
A decisão veio após o anúncio de um aumento de 54,8% no preço do combustível ocorrido no início de abril. Para amenizar o impacto, a estatal optou por diluir parte desse reajuste em seis parcelas, programadas entre julho e dezembro de 2026, mas com a incidência de juros.
Reação do Mercado e Detalhes da Cobrança
Agentes do setor relataram que a cobrança de taxas foi uma surpresa para o mercado, que não antecipava a aplicação de juros, especialmente em um patamar superior ao CDI. Isso ocorre em um momento em que a própria Petrobras vinha sinalizando preocupações com os impactos financeiros sobre seus clientes.
Na prática, o reajuste imediato foi fixado em 18%, sendo o restante do valor passível de parcelamento. A companhia alega que o objetivo dessa medida é preservar a demanda e amenizar os efeitos no setor aéreo, mantendo, contudo, sua neutralidade financeira.
Justificativa da Petrobras e Impacto Global
Em um comunicado oficial, a Petrobras justificou que o modelo de reajuste considera a alta acentuada nas cotações internacionais do petróleo. Essa elevação foi intensificada pelas recentes tensões geopolíticas observadas na região do Oriente Médio.
O custo do querosene de aviação é um componente crucial nos gastos das companhias aéreas, tornando qualquer aumento significativo um fator relevante para a saúde financeira do setor. Paralelamente, o governo federal anunciou uma isenção temporária de PIS/Cofins sobre o combustível por dois meses, o que deve gerar uma economia estimada em cerca de R$ 100 milhões para as empresas.
Demandas Adicionais do Setor Aéreo
Apesar da isenção tributária, o setor aéreo considera o alívio insuficiente diante da pressão de custos. As empresas pleiteiam mudanças mais abrangentes, como a revisão das alíquotas de IOF.
Outras reivindicações incluem o retorno da isenção de Imposto de Renda sobre o leasing de aeronaves, medidas que ainda não avançaram. Executivos do setor avaliam que o suporte tributário atual é insuficiente frente à volatilidade do preço do petróleo e da taxa de câmbio.
Posicionamento Final
Em relação às críticas sobre a cobrança de juros no parcelamento, a Petrobras ainda não emitiu um pronunciamento oficial, deixando o tema em aberto para o setor aéreo.
