PicPay Quebra Seca de IPOs Brasileiros na Bolsa de Valores dos EUA
Após quase cinco anos de espera, o mercado financeiro brasileiro testemunhou um retorno significativo com a estreia do PicPay na Nasdaq, a bolsa de tecnologia dos Estados Unidos. As ações da fintech, listadas sob o ticker PICS, foram negociadas nesta quinta-feira (29), com um desempenho robusto durante o IPO.
Este evento encerra uma longa estiagem de ofertas públicas de ações de empresas brasileiras, que se estendia desde 2021.
A fintech conseguiu precificar sua abertura de capital a US$ 19 por ação, no topo da faixa indicativa, que variava entre US$ 16 e US$ 19. A operação envolveu a venda de cerca de 22,9 milhões de ações Classe A, representando um valor de R$ 2,25 bilhões, no câmbio atual.
Investidores terão um prazo de 30 dias para exercer a opção de compra de mais 3,4 milhões de papéis, o que pode elevar o valor total da transação para aproximadamente US$ 500 milhões (R$ 2,6 bilhões).
Fatores que Contribuíram para o Sucesso da Estreia
O sucesso da estreia do PicPay foi impulsionado por uma demanda significativa de investidores institucionais, com mais de 200 participantes no “book” da oferta. Isso resultou em uma alocação relevante para fundos “long only” (com horizonte de investimento mais longo) e veículos focados em tecnologia e mercados emergentes.
A Bicycle Capital, gestora do empresário Marcelo Claure (ex-SoftBank), atuou como investidora âncora, com um compromisso de aporte de US$ 75 milhões.
Outras Estreias no Exterior
O movimento do PicPay ganha ainda mais relevância quando analisado historicamente. Desde a abertura de capital do Nubank, em dezembro de 2021, nenhuma empresa brasileira havia conseguido acessar o mercado de ações, nem no Brasil, nem no exterior. Até agora, com o IPO arrasa-quarteirões do PicPay.
Nos últimos meses, a lista de companhias interessadas em uma estreia nos Estados Unidos cresceu, com expectativa de que outras empresas sigam a fila iniciada pelo PicPay, como o Agibank, que também entrou com processo de listagem no exterior recentemente.
Sobre o PicPay
Adquirido em 2015 pelo Banco Original, controlado pelos irmãos Joesley e Wesley Batista, o PicPay passou por uma série de transformações até assumir o formato atual. A virada veio quando a empresa passou a concentrar as operações de varejo do banco.
Em setembro, o banco digital somava 42,1 milhões de clientes ativos. Cerca de um terço deles já utiliza o PicPay como conta principal.
É preciso destacar que há uma diferença fundamental em relação à primeira tentativa de abertura de capital do PicPay, em 2021. Desta vez, a fintech chega ao mercado como uma empresa lucrativa. A estimativa apresentada no prospecto aponta para um lucro ajustado de R$ 418 milhões em 2025, um crescimento de 66% em relação ao ano anterior.
A receita anual, segundo o documento, pode alcançar R$ 10 bilhões.
