A Polícia Federal intensificará as investigações sobre o Caso Master a partir de segunda-feira (26). A operação Compliance Zero, que apura irregularidades na tentativa de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB), envolverá depoimentos de diretores de ambos os bancos, além de empresários e ex-executivos das instituições financeiras.
Os depoimentos ocorrerão por videoconferência ou na sede do Supremo Tribunal Federal (STF) das 8h às 16h de terça-feira (27). A investigação centraliza-se em uma estrutura financeira que teria sido criada para mascarar a solidez do Banco Master, permitindo negócios com ativos inflados e créditos sem lastro.
Operações de Venda de Carteiras e Ativos Inflados
A investigação se concentrará em duas operações principais. A primeira envolve a venda de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito consideradas falsas ou sem lastro ao BRB. Essa venda levanta suspeitas de que o banco estatal do Distrito Federal absorveu ativos que não correspondem à realidade financeira.
O segundo bloco de investigação mira uma teia de fundos e ativos que, segundo o Banco Central, teriam sido inflados artificialmente para elevar o patrimônio do Banco Master. Essa operação envolveria a gestora Reag DTVM, somando R$ 11,5 bilhões.
Contexto da Negociação Frustrada
A operação Compliance Zero surgiu em março de 2025, quando o Banco de Brasília anunciou uma proposta para adquirir o Banco Master, visando formar um novo conglomerado financeiro. No entanto, a operação gerou questionamentos no mercado e no regulador, principalmente em relação à qualidade dos ativos do Master e à capacidade do BRB de absorver o negócio.
Após meses de análise, o Banco Central reprovou a compra em 3 de setembro, o que deu origem às investigações atuais, focando na estrutura financeira do Banco Master e na atuação de seus executivos, incluindo Daniel Vorcaro, seu principal responsável.
Crescimento Exponencial e Ativos Inflados
Nos anos que antecederam a intervenção, o Banco Master registrou um crescimento exponencial, impulsionado pela emissão de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com remuneração acima da média do mercado, amparados pela garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
No entanto, os investigadores apontam que esse crescimento não se sustentava na qualidade dos ativos do banco.
A investigação revela que o balanço do banco apresentava ativos artificialmente inflados, seja por meio de fundos “turbinados”, seja por carteiras de crédito consignado consideradas frágeis, enquanto os passivos cresciam em ritmo ainda maior.
O objetivo aparente dessas operações era sustentar a narrativa de solidez financeira necessária para manter o fluxo de captação e viabilizar a venda do banco.
Investigação em Andamento
A Polícia Federal ouvirá executivos, empresários e ex-dirigentes ligados ao Banco Master e ao BRB. A primeira etapa da operação já prendeu Daniel Vorcaro, um dia antes da decisão do Banco Central de liquidar o Master. Após o Banco Master, a Reag Trust e a DTVM foram alvo da operação.
