Novo Protagonista no Palco da Política Monetária dos EUA
Em maio de 2026, o cenário da política monetária dos Estados Unidos será marcado por uma mudança significativa. Jerome Powell se prepara para deixar a presidência do Federal Reserve (Fed), o banco central norte-americano, abrindo caminho para que o presidente Donald Trump escolha o novo líder do BC mais poderoso do planeta.
Essa decisão pode redefinir o futuro das taxas de juros nos EUA e, consequentemente, impactar a economia global, considerando que as ações do Fed reverberam em todo o mundo.
A Nomeação e as Expectativas
A escolha do novo chairman do Fed é acompanhada de perto por políticos, economistas e investidores. O Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) dita o compasso da maior economia do mundo, e suas decisões influenciam as bolsas, moedas e bancos centrais de diversos países.
A especulação sobre o perfil do futuro líder – se será dovish (mais tolerante com a inflação, favorecendo cortes de juros) ou hawkish (rigoroso no combate à inflação, defendendo políticas mais duras) – é como tentar prever o clima econômico dos próximos anos.
Os Favoritos na Corrida
O mercado já especula há meses sobre os possíveis novos líderes, e as apostas estão acirradas. Dados do Polymarket de 21 de janeiro de 2026 indicam que Kevin Warsh (47%), Rick Rieder (26%), Christopher Waller (12%) e Kevin Hassett (11%) são os principais candidatos.
Cada um possui uma trajetória e perfil distintos, que podem influenciar as decisões do Fomc.
Perfil dos Candidatos
Kevin Warsh, nascido em Albany, Nova York, possui formação em Stanford, Harvard e MIT. Sua experiência no Morgan Stanley, onde se destacou no setor de fusões e aquisições, e sua atuação como conselheiro econômico no governo George W. Bush, o tornam um candidato moderadamente dovish, alinhado ao atual secretário do Tesouro, Scott Bessent. Rick Rieder, diretor de renda fixa global da BlackRock, administra cerca de US$ 2,4 trilhões em ativos. Sua entrada no Fed representaria uma “ruptura”, trazendo alguém “de fora” para comandar a política monetária. Christopher Waller, membro do Fed desde 2009, indicado por Trump, é conhecido por suas posições independentes e já defendeu cortes de juros quando a maioria preferia mantê-los. Kevin Hassett, diretor do Conselho Econômico Nacional, tem trajetória marcada por consultorias a nomes como McCain, Bush e Romney. Durante o primeiro governo Trump, presidiu o Conselho de Consultores Econômicos e tornou-se uma voz frequente na mídia. Considerado o mais dovish da lista, sua postura sugere cortes de juros mais agressivos.
Próximos Passos e Desafios
O calendário aponta 15 de maio como a data oficial para o fim do mandato de Jerome Powell à frente do Fed. O futuro do atual chairman, porém, ainda é incerto. Powell não deixou claro se seguirá o protocolo tradicional – deixando o cargo quando expira sua liderança – ou se permanecerá no Fomc, onde tem assento garantido até 2028.
A corrida pela sucessão está sendo conduzida por Scott Bessent, que, segundo Donald Trump, retirou-se da disputa. Nesta semana, o republicano afirmou que está na reta final da escolha. “Diria que estamos em três [nomes], mas estamos em dois. E provavelmente posso dizer que estamos, na minha cabeça, talvez em um”, declarou Trump à CNBC durante o Fórum Econômico Mundial de Davos, sem revelar o escolhido.
A decisão acontece em um cenário de tensão para a política monetária estadunidense. De um lado, o mercado de trabalho mostrou sinais de fragilidade em 2025, em três reuniões consecutivas. De outro, a inflação segue teimosamente acima da meta de 2%, o que faz parte do comitê defender estabilidade nas taxas para manter a pressão sobre os preços.
Trump, por sua vez, já deixou claro que espera de seu indicado uma postura favorável a novos cortes de juros, alinhada à sua visão de estimular o crescimento. O desafio será transformar essa expectativa em consenso dentro do Fomc.
