Prada enfrenta críticas por sandália inspirada em Kolhapuri e lança projeto na Índia

Prada Responde a Críticas Sobre Sandália Inspirada em Kolhapuri
A Prada se manifestou após a polêmica envolvendo uma nova sandália da sua coleção, que toma como inspiração as tradicionais Kolhapuri, originárias da Índia. O lançamento do modelo, ocorrido nesta segunda-feira, 27, gerou repercussão, principalmente devido ao seu preço elevado.
A sandália, que estreou na Milan Fashion Week no ano passado, custa cerca de 750 euros, o equivalente a aproximadamente R$ 4 mil por par.
O preço elevado contrastava com a realidade do mercado indiano, onde o modelo original, produzido artesanalmente, pode ser encontrado por menos de US$ 10 (cerca de R$ 50). As Kolhapuri, populares na Índia, possuem um papel similar às rasteirinhas de couro no Brasil, frequentemente produzidas à mão e vendidas em feiras e mercados locais.
Muitas vezes, lembram as tradicionais “sandálias de vaqueiro” encontradas em alguns estados brasileiros.
Origem Histórica e Certificação
A história das sandálias Kolhapuri remonta ao século XII, originando-se na cidade de Kolhapur, no oeste da Índia. Criadas para o clima quente da região, elas receberam, em 2019, o status de Indicação Geográfica pelo governo indiano, uma certificação que garante sua autenticidade e origem regional.
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No mercado local, os modelos tradicionais variam entre 500 e 1.000 rúpias (aproximadamente R$ 26 a R$ 53).
Resposta da Prada e Programa de Capacitação
A controvérsia começou antes mesmo do lançamento, quando a marca apresentou um design semelhante em sua passarela em junho de 2025, sem mencionar suas origens. A atitude gerou acusações de apropriação cultural. Diante da repercussão, a Prada reconheceu a referência indiana e agora busca redefinir a narrativa.
A marca ressalta que artesãos de Maharashtra e Karnataka produzem os novos modelos na Índia, em um processo manual que valoriza a tradição.
Para além da produção, a Prada anunciou um programa de capacitação com duração de três anos, em parceria com instituições como o National Institute of Fashion Technology. A iniciativa visa treinar 180 artesãos, com módulos de seis meses, e alguns participantes poderão completar a formação na Itália.
A empresa busca estabelecer um diálogo entre a herança indiana e o luxo moderno, utilizando técnicas tradicionais e materiais de alta qualidade.
Autor(a):
Redação
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