Queda de MBRF após venda de R$ 1,5 bi do fundo Saudita: o que esperar?

Ações da MBRF caem 9,92% após venda de R$ 1,5 bi por fundo saudita. O que esperar do setor? Saiba mais!

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(Imagem de reprodução da internet).

Queda das Ações da MBRF Após Venda de Participação do Fundo Saudita

As ações da MBRF (MBRF3) sofreram uma queda significativa na bolsa após uma subsidiária do fundo soberano da Arábia Saudita vender cerca de R$ 1,5 bilhão em ações. O recuo atingiu 9,92% por volta das 14h30 desta quarta-feira, dia 15.

A notícia da venda foi divulgada pelo Valor Econômico, mas a própria companhia ainda não havia emitido um posicionamento oficial sobre o ocorrido. Nesse mesmo horário, outras empresas do setor, como Minerva Foods (BEEF3) e JBS (JBSS32), também registraram quedas, respectivamente de 2,60% e 0,55%.

Impacto da Venda e Estratégia do Fundo Árabe

É importante notar que o fundo árabe ainda detém uma participação considerável de 11% na MBRF. Parte dos recursos arrecadados com essa desinvestimento será utilizada para financiar a aquisição da Olam Agri, empresa sediada em Singapura.

Posicionamento da Companhia e Mercado

Ao Money Times, a MBRF comunicou que não comentaria a movimentação de mercado. Em paralelo, a empresa havia anunciado no início da semana a ampliação de seu acordo de fornecimento de carne com a Saudi Agricultural and Livestock Investment Company (Salic).

Para o BTG, os movimentos da MBRF, como o novo acordo que aumenta volumes máximos e inclui carne bovina, parecem naturais. Contudo, o banco ressalta que isso não garante a entrega efetiva desses volumes.

Desafios Logísticos e Perspectivas de Mercado

O movimento visa fortalecer a Sadia Halal, uma joint venture recém-criada que gerencia todos os ativos da MBRF no Oriente Médio (exceto na Turquia). Essa entidade recebe, na prática, os volumes exportados do Brasil para a região.

Em entrevista à Folha de São Paulo, um executivo da empresa mencionou que o tempo de entrega de cargas no Oriente Médio aumentou, passando de 40 para 60 dias devido às restrições impostas no Estreito de Ormuz.

Visão dos Especialistas e Projeções Financeiras

O BTG Pactual projeta resultados modestos para a MBRF no primeiro trimestre de 2026. A expectativa é de receita consolidada de R$ 40 bilhões, e um EBITDA de R$ 2,7 bilhões, resultando em uma margem de 6,8%.

Para Mafrig, a previsão aponta receita de R$ 24,3 bilhões, com um EBITDA projetado de R$ 483 milhões. Os analistas observam que a rentabilidade na América do Sul pode diminuir devido ao aumento dos preços do gado no Brasil.

Análise Setorial de Outras Empresas do Grupo

A expectativa para a BRF é de receita estável em R$ 15,6 bilhões no primeiro trimestre de 2026. As margens domésticas são historicamente ligadas ao spread do suíno, o que pode causar compressão de margens no segmento interno.

No entanto, o segmento internacional deve apresentar melhorias nas margens, impulsionado por spreads de frango mais fortes em comparação com o período anterior. Esses fatores devem ajudar a compensar parte da pressão sobre os resultados consolidados da companhia.

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