Raízen Enfrenta Desafios Financeiros com Rebaixamento de Rating
A situação financeira da Raízen (RAIZ4) está gerando preocupação no mercado financeiro. Duas importantes agências de classificação de risco, S&P Global e Fitch Ratings, tomaram medidas que indicam um aumento no risco de crédito da empresa. Ambas rebaixaram a nota de crédito da Raízen, retirando-a do nível de investimento.
Esses rebaixamentos significam que as agências avaliam um risco maior de a companhia não conseguir cumprir suas obrigações financeiras. A S&P Global reduziu a nota de crédito da Raízen de BBB- para CCC+, e colocou a empresa em observação negativa.
Essa ação sinaliza que a empresa está sendo vista como mais arriscada para credores e investidores.
Principais Motivos do Rebaixamento
O principal motivo para esses rebaixamentos é o anúncio da Raízen sobre seus planos para melhorar a situação financeira. No entanto, até o momento, não houve medidas concretas apresentadas pela administração e pelos acionistas. A empresa ainda enfrenta um alto nível de dívida e um desequilíbrio entre receitas e despesas, o que os analistas chamam de “queima de caixa”.
Além da dívida elevada, o desempenho da empresa também preocupa. Recentemente, a Raízen divulgou uma prévia de resultados que mostrou um desempenho fraco na área de Suprimentos e Energia. Isso leva a expectativa de que a empresa gere menos lucro operacional nos próximos anos, e que a dívida se torne um peso ainda maior em relação aos seus ganhos.
Projeções Financeiras da S&P
Para o ano fiscal que termina em março de 2026, a S&P estima que a Raízen gere um resultado operacional de aproximadamente R$ 11 bilhões. A relação entre a dívida e esse resultado deve ficar entre 5 e 5,5 vezes, um nível considerado alto e desconfortável para empresas do setor.
Para 2027, a S&P prevê um cenário ainda mais desafiador, com menor volume de vendas e preços baixos do açúcar no mercado internacional.
Mesmo com esforços para reduzir custos e melhorar a eficiência, a S&P calcula que o resultado operacional da Raízen fique por volta de R$ 11,5 bilhões. A empresa enfrenta um grande desafio: uma fatia significativa do dinheiro arrecadado vai ser destinada ao pagamento de juros da dívida.
O Peso da Dívida
A S&P estima que a Raízen terá que desembolsar cerca de R$ 9,5 bilhões por ano apenas com os juros da dívida. Mesmo reduzindo investimentos para o mínimo necessário para manter a operação funcionando, a empresa deve continuar gastando mais do que entra.
A projeção é de uma queima de caixa acima de R$ 6 bilhões em 2027. Se nada mudar, a dívida pode chegar a um nível equivalente a seis vezes o que a empresa consegue gerar de resultado operacional.
A dívida líquida da Raízen atingiu R$ 53,4 bilhões no segundo trimestre da safra 2025/26, um aumento de quase 50% em relação ao ano anterior. A situação da empresa é agravada pela necessidade de honrar compromissos financeiros em um momento em que o mercado está mais exigente com empréstimos.
Análise da Fitch Ratings
A Fitch Ratings também rebaixou a nota de crédito da Raízen, seguindo o mesmo caminho da S&P. Isso indica que novos rebaixamentos podem ocorrer, especialmente considerando que a empresa tem cerca de R$ 10,5 bilhões em dívidas que vencem nos próximos 18 meses.
