A Raízen enfrenta um período de instabilidade no mercado financeiro, com impactos significativos em sua classificação de crédito. A S&P Global reduziu a nota da empresa, classificando-a como ‘CCC+’ e colocando-a em CreditWatch Negativo nesta segunda-feira (9).
Paralelamente, a Fitch Ratings rebaixou os ratings de longo prazo, agora em ‘B’, também com Rating Watch Negativo.
Sinais de Reestruturação em Andamento
A empresa tem buscado apoio de consultores financeiros, o que sugere a possibilidade de uma reestruturação da dívida. A S&P Global avalia uma “alta probabilidade” desse movimento, enquanto a administração da Raízen tem prometido a venda de ativos, embora esses planos ainda não tenham sido implementados.
A S&P indica que novos anúncios sobre essa estratégia devem surgir em breve, com desafios na execução dos planos.
Resultados Fracos e Divisão em Contrastes
O terceiro trimestre fiscal da Raízen apresentou resultados fracos, com o negócio de e decepcionando o mercado. No entanto, a divisão de distribuição de combustíveis demonstra melhora, impulsionando o crescimento de volumes e margens. Apesar disso, as projeções para o futuro permanecem preocupantes.
Projeções e Desafios
A S&P prevê um EBITDA de R$ 11 bilhões para 2026, com uma alavancagem entre 5,0x e 5,5x. Para 2027, a pressão sobre o açúcar continua, com contratos futuros negociados entre 14 e 15 centavos por libra, impactando os números. Apesar de medidas de eficiência, os volumes mais baixos agravam a situação.
Situação Financeira Preocupante
A Raízen possui um caixa considerável, com R$ 18,6 bilhões em setembro e US$ 1 bilhão em linhas não utilizadas. Contudo, a dívida de curto prazo, que soma R$ 7,4 bilhões, representa um desafio. O fluxo de caixa livre deve ser negativo até 2027, exigindo soluções urgentes.
A empresa precisa reverter essa trajetória rapidamente, pois o tempo é um fator crítico.
Alerta e Críticas da Análise
Analistas expressam preocupação com o consumo contínuo de caixa, alertando que, sem novas entradas, o caixa da empresa pode acabar em dois anos. A Fitch aponta para a falha dos acionistas na injeção de capital e o desempenho operacional decepcionante, que dificultam a manutenção da liquidez.
A projeção da Fitch para a alavancagem bruta é de 5,4x, com uma liquidez de 5,0x, níveis considerados altos para o setor energético, limitando a flexibilidade financeira da companhia.
Vencimento da Dívida e Necessidade de Ação
A Raízen enfrenta um grande volume de dívora com vencimento em 18 meses, que pode se tornar mais cara para refinanciar, devido às taxas atuais de mercado. As despesas com juros, que chegam a R$ 9,5 bilhões anuais, e os elevados investimentos de capital contribuem para o fluxo de caixa negativo.
A situação exige ações imediatas para evitar maiores dificuldades.
