Raízen em Crise: Títulos de Dívida Caem e Rendimentos Disparam!

Raízen enfrenta turbulência! Títulos de dívida em dólar despencam após ação da Cosan e Shell. A desvalorização é alarmante e elevou as taxas de juros. Saiba mais!

05/02/2026 14:14

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(Imagem de reprodução da internet).

Raízen Enfrenta Pressão em Títulos de Dívida

A recente queda na confiança em relação à Raízen (RAIZ4) se refletiu diretamente nos preços de seus títulos de dívida em dólar nesta quarta-feira (4). Uma onda de vendas no mercado secundário provocou uma forte desvalorização dos papéis, elevando significativamente as taxas de juros.

O principal fator que impulsionou essa movimentação foi uma decisão da Cosan (CSAN3), controladora da Raízen em conjunto com a Shell.

A holding anunciou o resgate de alguns títulos de dívida que possuem uma cláusula de “inadimplência cruzada” com a Raízen. Essa cláusula estabelece que, em caso de dificuldades financeiras de um dos lados, o outro pode ser acionado para honrar a dívida.

O mercado interpretou esse movimento como um sinal de menor disposição da Cosan em injetar capital na Raízen, gerando uma reação imediata dos investidores, que buscaram vender os títulos da companhia.

Essa situação ocorre em um momento de grande incerteza em relação à dívida da Raízen, que necessita levantar cerca de US$ 18 bilhões para retornar a um nível de endividamento considerado saudável (uma relação de 2,5 vezes entre a dívida líquida e o EBITDA).

A dinâmica do mercado de renda fixa é simples: quando um grande número de investidores vende um título, o preço do papel tende a cair, e a taxa de retorno aumenta, em um processo inverso.

Para ilustrar, imagine um título inicialmente avaliado em US$ 100, com uma taxa de juros de 5%. Se um investidor decide vendê-lo antes do vencimento, ele precisará oferecer um preço menor, digamos US$ 99, para atrair compradores. Para compensar essa perda, a taxa de juros subirá para 5,15%.

Foi o que aconteceu com os bonds da Raízen na quarta-feira, com os títulos de vencimento em 2032 caindo até 12 centavos de dólar, a pior queda desde sua emissão em 2025. Os rendimentos dos títulos agora estão acima de 14%, em comparação com 9% no final de janeiro e 6,5% na emissão.

A cautela demonstrada pelo controlador (Cosan) aumenta a percepção de risco em relação à Raízen. Muitos investidores preferem resgatar seus investimentos, absorvendo o prejuízo. Aqueles que ainda buscam investir exigem um retorno maior, o que implica em um preço menor para os títulos.

Além disso, a hesitação da Shell em investir mais capital agrava a situação, pois se a petroleira possuísse mais de 50% do controle da Raízen, a dívida da subsidiária teria que ser incluída no balanço da própria Shell, algo que a empresa não deseja no momento.

Nem todos, no entanto, veem apenas problemas. O BTG Pactual, por exemplo, listou o bond RAIZBZ 2035 em janeiro e fevereiro, argumentando que o mercado havia exagerado na punição aos papéis da Raízen. Com o bond negociando em 77% do valor de face, a uma taxa de 9,6%, o investidor comprava com desconto.

Atualmente, o mesmo bond está sendo negociado em 66,25% do seu valor de face, com uma taxa de 11,90%, o que pode ser considerado ainda mais barato. O BTG reafirmou a confiança no apoio estratégico de Cosan e Shell à sua controlada.

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