A Confederação Nacional da Indústria (CNI) lançou recentemente um estudo que examina as possíveis consequências da implementação de uma redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais no Brasil. A pesquisa revela que a região Sul do país seria a mais afetada por essa medida, de acordo com os cálculos da entidade.
A CNI considerou duas formas de lidar com o déficit de horas trabalhadas: o pagamento de horas extras ou a contratação de novos funcionários. Em ambos os cenários, a região Sul apresentou o maior impacto. A entidade estima que, no caso da compensação por horas extras, os custos da indústria no Sul poderiam aumentar em 8,1%.
Já no cenário de reposição por meio de novas contratações, a CNI projeta um aumento de 5,4%. Os custos totais poderiam chegar a R$ 267,2 bilhões por ano, segundo a CNI.
Impacto Regional: Sul e Sudeste
Embora o Sul liderasse em termos percentuais, o estudo da CNI aponta que o Sudeste concentraria o maior aumento de custo em valores absolutos. A entidade estima um impacto de R$ 143,8 bilhões no cenário geral.
Mesmo considerando a estratégia de contratação de novos funcionários, o Sudeste manteve o maior peso em reais, com uma alta de custos de R$ 95,8 bilhões, de acordo com a CNI.
Desafios na Implementação
A CNI avalia que, independentemente da estratégia escolhida, a compensação integral das horas reduzidas é um desafio. A entidade classifica a recomposição como “economicamente improvável e operacionalmente inviável” em grande parte dos segmentos industriais.
A CNI alerta que o aumento dos custos do trabalho não se limita a um setor ou região, mas se espalha pelas cadeias produtivas, elevando os preços dos insumos e impactando a competitividade das empresas.
O presidente da CNI, Ricardo Alban, ressaltou a necessidade de cautela em qualquer debate sobre a redução da jornada de trabalho, devido à variação do impacto por região e perfil produtivo.
