Renda Fixa Brasileira Resiste à Selic Alta: Fluxo Bilionário e Setores em Alerta em 2026

Mercado da Renda Fixa acompanha Selic alta! R$ 84 bilhões captados em fundos. Moody’s alerta sobre riscos no Agronegócio e Saúde

12/02/2026 19:02

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(Imagem de reprodução da internet).

Mercado da Renda Fixa Brasileiro Continua Atento à Taxa Selic

Em 2026, o mercado da renda fixa no Brasil demonstra uma clara preferência por opções consideradas mais seguras, impulsionada pela taxa Selic ainda em patamares elevados. A agência de classificação de risco Moody’s Local em seu relatório divulgado nesta quinta-feira, aponta que os investidores buscam rentabilidade atrativa e com menor risco, em detrimento de ativos mais voláteis como ações e fundos multimercados.

Essa tendência se reflete nos números de captação, com um fluxo significativo para a renda fixa.

Ao longo de 2025, os fundos de renda fixa registraram uma entrada líquida de R$ 84 bilhões, enquanto fundos de ações e multimercados sofreram resgates de R$ 54 bilhões e R$ 59 bilhões, respectivamente. Essa aversão ao risco é compreendida pela Moody’s, que destaca o alto custo de oportunidade para o investidor pessoa física, que abriria mão de uma rentabilidade mais alta e garantida em favor de opções de menor risco.

Novas Emissões e a Medida Provisória 1.303/2025

O mercado da renda fixa atingiu um marco histórico em 2025, com um volume total de emissões de R$ 738 bilhões. As debêntures continuaram a liderar as emissões de empresas, representando 67% desse volume. Essa movimentação foi intensificada pela Medida Provisória nº 1.303/2025, que determinava a isenção de imposto de renda sobre a rentabilidade de ativos como LCI, LCA, CRI, CRA e debêntures incentivadas.

A Moody’s acredita que a reação antecipada do mercado à possível mudança na tributação desses ativos contribuiu para o aumento das captações.

Desafios de Refinanciamento e Setores em Destaque

A Moody’s estima que cerca de R$ 117 bilhões em dívidas corporativas vencerão até o final de 2026, criando um desafio de refinanciamento para as empresas. Emissores com ratings mais baixos (BBB) ou métricas de crédito frágeis exigirão atenção, especialmente se as condições de mercado se tornarem menos favoráveis devido às eleições.

As empresas com ratings mais altos, classificadas como AAA e AA, adotam uma postura financeira mais prudente, reforçando o caixa e adiando o vencimento das dívidas. O setor de Papel e Celulose se destaca com perspectivas positivas, devido à liderança global do Brasil e aos baixos custos de produção.

Já o setor de Locação de Veículos e Logística, com empresas como Localiza e Movida, consegue repassar o custo de capital para suas tarifas de aluguel.

Setores com Sinal de Alerta

O setor de Agronegócio e Saúde apresentam sinais de alerta, com empresas como Kora Saúde, Viveo e Elfa Medicamentos registrando deterioração em seus perfis de crédito. Esses setores concentram as maiores perspectivas negativas de crédito no portfólio da agência de risco, com métricas financeiras pressionadas e fraca geração de caixa.

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