O mercado brasileiro de renda fixa digital apresentou um desempenho notável em 2025, com um volume total de R$ 3,34 bilhões movimentados em 614 emissões. Dados recentes, divulgados no Relatório Renda Fixa Digital 2026, revelam uma taxa de sucesso de captação de 99,7%, um indicador que demonstra a confiança dos investidores nesse segmento.
O estudo, inédito no país, oferece uma análise aprofundada da evolução dos ativos estruturados, incluindo a tokenização, que tem ganhado espaço no Brasil.
Aceleração no Segundo Semestre de 2025
O levantamento da DeFin Research, lançado em São Paulo na última quarta-feira (5), destaca uma aceleração significativa no mercado no segundo semestre de 2025, período que concentrou 84,8% do volume total de emissões. Em outubro, o desempenho foi ainda mais expressivo, com emissões que somaram R$ 1,11 bilhão, distribuídas em 87 operações, evidenciando o avanço da renda fixa digital ao longo do ano.
Assimetria Estrutural nas Emissões
O relatório também aponta uma assimetria estrutural nas emissões. A maior parte das operações, 45,8%, teve valores de até R$ 500 mil. No entanto, um grupo menor de emissões se destacou, com dez operações acima de R$ 50 milhões e uma que atingiu R$ 885 milhões.
Segundo Beny Fard, especialista em investimentos e um dos responsáveis pelo projeto, essa dinâmica está relacionada à maturidade do mercado e à adequação dos produtos ao perfil dos investidores.
Análise do Especialista
Beny Fard ressalta que a eficiência das captações está diretamente ligada ao “product market fit”, ou seja, à adequação dos produtos às necessidades do mercado de varejo, que se tornou mais maduro e com transações de tamanho mais adequado aos diferentes investidores.
Ele enfatiza que a estrutura das ofertas passou a respeitar melhor o apetite de risco e o tíquete médio dos investidores, o que contribuiu para o alto índice de sucesso observado.
Perspectivas sobre a Concentração de Volume
Em relação à concentração de volume em poucas operações de grande porte, Beny Fard avalia que não representa um risco estrutural para o mercado. Ele argumenta que essa concentração reflete uma mudança no perfil dos participantes, com a entrada de investidores do atacado, que trabalham com tíquetes mais elevados e níveis de exigência maiores.
Segundo ele, essa movimentação é positiva, pois esses investidores impõem critérios mais rigorosos de análise e diligência.
Detalhes sobre os Produtos e Regulamentação
O relatório também detalha o funcionamento dos produtos de renda fixa digital, incluindo os principais riscos envolvidos, os critérios de diligência exigidos e o enquadramento desses ativos dentro do arcabouço regulatório vigente. O documento surge em um momento de expansão e amadurecimento do segmento no mercado financeiro brasileiro.
