Retomada do Petróleo Venezuelano: Desafios e Perspectivas para o Mercado Global

Ex-presidente Nicolás Maduro capturado nos EUA reacende debate sobre retorno da produção de petróleo na Venezuela. Analista Vitor Sousa detalha desafios e perspectivas, incluindo obstáculos financeiros e fuga de mão de obra. Retorno estrutural levará anos, mas potencial de 300-400 mil barris/dia é possível

3 min de leitura

(Imagem de reprodução da internet).

Retomada do Petróleo Venezuelano: Desafios e Perspectivas

A recente captura do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro pelos Estados Unidos reacendeu o debate sobre o potencial de retomada da produção de petróleo no país. A Venezuela detém as maiores reservas globais, mas o retorno à posição de grande produtor não é uma tarefa simples.

Em entrevista ao podcast “Touros e Ursos”, o analista da Genial Investimentos, Vitor Sousa, detalhou os principais desafios e perspectivas dessa retomada.

Sousa destaca que o principal questionamento reside no tempo e na forma de esse processo de retomada de produção para o mercado global. O analista aponta para um desafio financeiro significativo, mas também humano, devido à fuga de mão de obra qualificada durante o regime de Maduro.

Ele acredita que o retorno estrutural levará um tempo considerável.

“Existe um potencial de 300 mil a 400 mil barris adicionais por dia num prazo razoavelmente curto. Mas aquele grande retorno estrutural da oferta venezuelana é uma coisa de anos mesmo”, afirma Sousa. O especialista ressalta que a incerteza em torno do processo de retomada impacta diretamente os investimentos e a confiança do mercado.

Impacto no Cenário Internacional e na Petrobras

O cenário de retomada da produção venezuelana pode ter implicações significativas para o mercado global de petróleo. Segundo Sousa, o objetivo de Donald Trump é aumentar a oferta global para desacelerar a inflação interna, e não apenas controlar a renda do petróleo venezuelano, o que pode gerar uma pressão de baixa nos preços globais nos próximos anos.

Para a Petrobras (PETR4), o cenário de petróleo barato reduz a geração de caixa e afeta os acionistas — via desvalorização da ação e queda no pagamento de dividendos. O analista também pondera sobre o aumento de investimentos em outras áreas, o que também pressiona o fluxo de caixa.

Sousa vê risco em projetos menos lucrativos, como eólicas e refinarias, que podem deteriorar os fundamentos da estatal.

Oportunidades para Juniores e Empresas Especializadas

Apesar dos desafios, a incerteza na Venezuela cria oportunidades para empresas menores focadas em revitalizar campos antigos. Sousa avalia que os ativos venezuelanos podem chegar ao mercado com preços muito baixos. Empresas como Brava (BRAV3) e PetroReconcavo (RECV3) poderiam aproveitar esses múltiplos baixos para entrar em novos mercados.

“A gente está falando de cases de revitalização, que são especialidade dessas empresas. Diante de um novo mercado, pode ser que a própria tese de investimento dessas empresas seja revitalizada”, diz ele sobre as juniores.

Escolhas dos Convidados: Touros e Ursos da Semana

No bloco final do programa, os convidados elegem os touros e ursos da semana, expressão que dá nome ao podcast. Neste episódio, o Banco Master voltou aos destaques negativos devido ao ruído institucional gerado pelo questionamento do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre a decisão técnica do Banco Central de decretar a liquidação extrajudicial da instituição.

Do lado positivo, Sousa escolheu a Prio (PRIO3) como touro, destacando que a empresa possui o menor custo de extração entre as petroleiras juniores e demonstra uma execução eficiente de seus projetos. Já o touro especial foi o filme brasileiro “Agente Secreto”, dirigido por Kleber Mendonça Filho, que venceu o Globo de Ouro de melhor filme em língua não inglesa, enquanto Wagner Moura conquistou o prêmio de melhor ator de drama.

Sair da versão mobile