Retrato de Elisabeth Lederer: Obra de Klimt e História de Sobrevivência

Retrato de Elisabeth Lederer: Obra de Klimt e sua história complexa. A tela de Gustav Klimt, encomendada pelos Lederer, retrata Elisabeth e sua audaciosa estratégia para garantir a segurança da obra

25/11/2025 15:21

3 min de leitura

(Imagem de reprodução da internet).

Retrato de Elisabeth Lederer: Uma Obra de Arte e Sua História Complexa

O Retrato de Elisabeth Lederer, uma tela de quase dois metros de altura, impressiona pela sua paleta de cores vibrantes e um fundo repleto de detalhes inspirados na arte chinesa. No centro da tela, uma jovem judia com olhos hipnotizantes e uma beleza suave, trajada com um manto imperial chinês branco, captura a atenção de quem a observa.

A tela já demonstra por que é tão valiosa, mas sua história vai muito além da sua estética.

Gustav Klimt e a Obra

O Retrato de Elisabeth Lederer é uma obra de Gustav Klimt, um renomado artista austríaco, conhecido principalmente por “O Beijo” (1907–1908). A tela foi encomendada em 1914 pelo casal August e Szerena Lederer para eternizar sua única filha, Elisabeth.

A família Lederer era uma das mais ricas de Viena, possuindo um catálogo notável de obras de arte, incluindo muitas de Gustav Klimt, que mantinha uma relação próxima com a família. A tela, finalizada em 1916, foi considerada símbolo da “era de ouro” da cultura de Viena e reafirmava o prestígio da família dentro da elite da cidade.

A História da Obra

O quadro foi colocado na sala da mansão Lederer, onde permaneceu até 1938, quando a cidade foi invadida pelos nazistas e a Áustria foi incorporada ao Terceiro Reich. Durante esse período, a maioria das obras dos Lederer foi confiscada pelos nazistas, com exceção das consideradas “judias demais para serem roubadas”.

Essas obras foram levadas para o Castelo de Immendorf, onde os nazistas as abrigavam.

A Luta por Sobrevivência

Enquanto isso, Elisabeth Lederer, uma mulher judia sozinha, recusou-se a fugir de Viena. Sua situação era delicada: ela era uma mulher judia, divorciada, com seu filho morto ainda jovem e seu pai e mãe já falecidos. Em 1939, ela adotou uma estratégia inusitada: alegou ser filha ilegítima de Gustav Klimt, e, portanto, “portadora de seu sangue ariano”.

Essa narrativa fazia sentido, considerando a fama de “mulherengo” do pintor e o fato de que ele tinha várias amantes. Klimt tinha uma forte ligação com a família Lederer, e Elisabeth era uma de suas musas. Sua mãe, Serena Lederer, chegou a assinar um documento reconhecendo a paternidade de Klimt, o que garantiu certa proteção a Elisabeth até 1944, quando morreu devido a complicações de saúde, aos 48 anos.

O Retorno do Quadro

Em 1945, as tropas nazistas se retiraram da Áustria, sem antes incendiar o Castelo de Immendorf. O objetivo era garantir que as obras de arte jamais caíssem nas mãos dos Aliados. Estima-se que 140 obras de arte foram perdidas nesse desastre, incluindo onze obras do acervo dos Lederer, sendo várias de Gustav Klimt.

No entanto, o Retrato de Elisabeth Lederer não foi uma delas. Os nazistas não tinham interesse em exibir publicamente uma musa judia no castelo. Paradoxalmente, esse pensamento garantiu a segurança do quadro até 1948, quando foi encontrado e devolvido a Erich Lederer, que o manteve por toda a vida.

Posteriormente, o retrato passou a fazer parte da coleção privada do bilionário Leonard A. Lauder, herdeiro da Estée Lauder, até a sua morte, em junho de 2025. Em 2025, o retrato voltou ao mercado internacional e fez história, entrando para o grupo das pinturas mais valiosas do mundo.

Autor(a):

Portal de notícias e informações atualizadas do Brasil e do mundo. Acompanhe as principais notícias em tempo real