Santander Busca Alta Rentabilidade até 2028
O Banco Santander anunciou uma nova estratégia ambiciosa, visando superar os 20 bilhões de euros em lucro até 2028. No entanto, para os acionistas brasileiros, o principal objetivo é a recuperação da rentabilidade, com a meta de alcançar uma rentabilidade superior a 20% no Santander Brasil em até dois anos.
Essa mudança de foco reflete uma nova fase para o banco, buscando se afastar de um modelo de crescimento acelerado e se concentrando em uma abordagem mais seletiva e eficiente.
Nova Estratégia e Prioridades
A administração do Santander Brasil está transformando discurso em compromisso formal, com a meta de reconquistar um Retorno sobre Patrimônio Tangível (ROE) na faixa dos 20% entre 2027 e 2028. Essa meta, conforme projeções do JP Morgan, levaria a um Retorno sobre Patrimônio Líquido (ROE) de 22%.
O banco está priorizando segmentos de alta renda, pequenas e médias empresas e grandes clientes corporativos, buscando relacionamentos mais profundos e receitas de tarifas mais previsíveis. O crédito massificado deixa de ser o motor principal, transformando-se em uma peça tática na operação.
Risco e Eficiência: Pilares da Estratégia
Para alcançar essa rentabilidade, o Santander está focando no controle do custo de risco, buscando mantê-lo abaixo de 5% no consolidado brasileiro. No entanto, a instituição reconhece que uma queda nos juros pode não acompanhar automaticamente essa trajetória.
Para compensar, o banco pretende reingressar seletivamente no mercado de cartões de crédito e empréstimos pessoais para clientes de maior renda, buscando margens mais altas. A eficiência operacional é outro pilar fundamental, com a migração para uma plataforma global em nuvem, a “Gravity”, sendo vista como um catalisador de melhorias.
O objetivo é simplificar produtos, automatizar processos e reduzir a complexidade, operando como uma plataforma única para replicar soluções em diversos mercados.
Competição com Bancos Digitais e Inovação Tecnológica
Além da rentabilidade e eficiência, o Santander busca se posicionar de frente com bancos digitais como Nubank e Revolut. A presidente executiva Ana Botín enfatizou a importância de comparar o desempenho do Santander com esses players, buscando se aproximar de seus níveis de eficiência.
O grupo almeja reduzir o índice de eficiência para menos de 34% até 2028, patamar próximo ao observado entre grandes players digitais. O investimento de 20 bilhões de euros em tecnologia e inteligência artificial na última década é a base para “absorver crescimento com custo incremental próximo a zero”.
A abordagem do Santander é descrita como “boring banking”, focada em execução disciplinada, alinhamento de incentivos e simplificação radical de produtos e processos.
