Santander Brasil Enfrenta Reação Fria do Mercado Apesar de Lucros Acima das Previsões
Apesar de apresentar resultados superiores às expectativas, o Banco Santander Brasil (SANB11) viu suas ações reagir negativamente no mercado na quarta-feira (4). As unidades do banco operavam em vermelho, refletindo uma cautela generalizada entre os investidores.
O desempenho, embora positivo em termos absolutos, não foi suficiente para atender às expectativas de crescimento mais robustas do mercado.
O lucro líquido do Santander Brasil no quarto trimestre de 2025 alcançou R$ 4,08 bilhões, superando em 6% as projeções e 1,9% em relação ao trimestre anterior. A rentabilidade sobre o patrimônio (ROE) manteve-se em 17,6%, indicando um desempenho consistente, embora com um pequeno aumento de 0,1% em relação ao trimestre anterior.
No entanto, essa performance não foi suficiente para impulsionar o otimismo do mercado, que buscava um crescimento mais expressivo na margem financeira e na rentabilidade.
Fatores que Influenciaram a Reação do Mercado
Diversos fatores contribuíram para a reação negativa do mercado. A alíquota de imposto, que ficou excepcionalmente baixa devido a estratégias pontuais de otimização fiscal, não deve se repetir em 2026, o que gerou incertezas entre os investidores.
Além disso, a inadimplência acima de 90 dias voltou a subir, pressionada principalmente por pequenas e médias empresas e pela carteira de pessoa física de baixa renda, o que levantou preocupações sobre a qualidade dos ativos do banco.
CEO Promete Crescimento “de Verdade” no Lucro
Consciente dessa leitura, o CEO do Santander Brasil, Mario Leão, enfatizou o compromisso do banco em aumentar a linha de lucro antes dos impostos. Ele afirmou que o objetivo é alcançar uma alíquota efetiva mais material em 2026, buscando um crescimento mais robusto.
O executivo explicou que o banco se beneficiou de estratégias pontuais de otimização fiscal no ano passado, mas que essa situação não deve se repetir.
Análise dos Especialistas
O JP Morgan classificou o resultado do Santander Brasil no 4T25 como “um trimestre brando, mas em linha com as expectativas e melhor do que se temia”. Segundo o banco norte-americano, um dos principais fatores que sustentaram o resultado foi a alíquota de imposto excepcionalmente baixa.
O BTG Pactual também avaliou o resultado, destacando que a rentabilidade sobre o patrimônio (ROE) já está em um patamar estabelecido.
Qualidade dos Ativos e Mix de Crédito
A inadimplência acima de 90 dias e o aumento das provisões também impactaram a percepção do mercado. No entanto, o diretor financeiro do banco, Gustavo Alejo, explicou que essas pressões são temporárias e que o Santander está adotando uma estratégia de mix de crédito mais defensiva, com maior foco em garantias e clientes de melhor perfil.
A XP Investimentos avaliou que a qualidade dos ativos permanece sob controle, apesar das pressões pontuais.
Consenso do Mercado: Uma Visão Neutra com Potencial de Recuperação
Apesar da reação negativa das ações no pregão e das leituras mais cautelosas sobre o trimestre, o consenso de mercado ainda é majoritariamente construtivo em relação ao Santander Brasil. Das oito recomendações compiladas pela plataforma TradeMap, quatro são de compra e quatro são neutras.
Após a divulgação do balanço, o JP Morgan manteve recomendação “overweight”, equivalente à compra, devido aos múltiplos de valuations ainda atraentes e à perspectiva de que a rentabilidade converja para a casa dos 18%.
