Empresas Antecipam Mudanças na Jornada de Trabalho
O debate sobre a redução da escala de trabalho de 6×1 (seis dias de trabalho por um de descanso) ganhou força em 2025 e continua em alta no início de 2026. Enquanto o governo e o Legislativo ainda avaliam o tema, algumas empresas já tomaram a iniciativa de implementar mudanças por conta própria.
Uma delas é a rede de supermercados Savegnago, conhecida em diversas regiões de São Paulo.
O grupo decidiu ampliar o projeto que aplica a escala 5×2 (cinco dias trabalhados por dois de folga) em suas lojas. A medida será implementada em Campinas, Sumaré, Hortolândia, além das unidades do Paulistão Atacadista em Barretos, Sertãozinho e Franca.
A empresa comunicou a mudança em seu perfil nas redes sociais, destacando que o objetivo é oferecer uma rotina mais equilibrada aos funcionários, sem comprometer a organização e a eficiência das operações.
Com mais de 13 mil colaboradores diretos e atuação em 21 municípios, o Grupo Savegnago planeja expandir ainda mais, com a meta de atingir 79 unidades até o final de 2026. A iniciativa da empresa reflete uma tendência crescente de empresas buscando adaptar seus modelos de trabalho às demandas dos funcionários.
Outro estabelecimento que chamou a atenção foi o Copacabana Palace, também atuante em um setor que opera com alta carga horária. A empresa também adotou uma nova escala, buscando melhorar a qualidade de vida dos colaboradores e reduzir o desgaste da rotina.
A mudança impacta equipes como camareiras, governantas, garçons, chefs e recepcionistas, com a única exceção dos profissionais de segurança, que continuam em regime de 12×36.
O Palácio Tangará, em São Paulo, também anunciou a adoção do novo formato após um processo interno de consulta aos funcionários. A mudança exigiu um investimento adicional de aproximadamente R$ 2 milhões por ano, resultado de uma demanda clara das equipes, que se manifestaram a favor da alteração em uma assembleia com o sindicato, com quase nove em cada dez trabalhadores a favor.
Fim da escala 6×1: vai virar lei? A discussão sobre a mudança no modelo de jornada ainda está longe de um desfecho. Apesar de avanços institucionais no final de 2025, quando a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado Federal deu aval a uma proposta que altera a escala de trabalho e reduz o limite semanal de horas, o caminho até a virada em lei é longo. Antes de qualquer efeito prático, a proposta precisa superar uma sequência de votações formais, que inclui o plenário do Senado, a análise da Câmara dos Deputados e, ao final, a decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que pode sancionar ou vetar o texto. Atualmente, há duas frentes legislativas tratando do mesmo tema. Uma delas está na Câmara, onde a proposta permanece em uma subcomissão, enquanto outra tramita no Senado.
