Sequoia Logística vende ativos para Mercado Livre: o que muda no e-commerce?

Sequoia Logística vende ativos de e-commerce para Mercado Livre. Saiba como o Mega Sorter e o CD em São Bernardo do Campo mudam o futuro da SEQL3!

22/04/2026 9:19

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(Imagem de reprodução da internet).

Sequoia Logística Vende Ativos de E-commerce para Mercado Livre em Reestruturação

Após anos buscando escala no e-commerce, e enfrentando os custos associados, a Sequoia Logística (SEQL3) decidiu se afastar de uma área onde sentia maior pressão. Nesta quarta-feira, dia 22, a empresa anunciou a venda de ativos logísticos para o Mercado Livre (MELI34), saindo de um dos setores mais disputados do mercado.

A negociação inclui a cessão total do contrato de locação do centro de distribuição em São Bernardo do Campo (SP) para a Ebazar.com.br Ltda, parte do grupo Mercado Livre. Além disso, será vendido o principal equipamento da operação de e-commerce da companhia: o Mega Sorter Damon.

O Fim de um Ciclo de Ambição em Comércio Digital

Em termos práticos, a Sequoia está encerrando um ciclo. O que começou como uma aposta natural durante o auge do comércio digital na pandemia, quando a demanda por entregas parecia ilimitada, transformou-se em um negócio com margens apertadas, alto consumo de capital e crescente concorrência.

Com o aumento das taxas de juros, a intensificação da competição e a tendência de verticalização logística dos grandes marketplaces, o cenário mudou rapidamente. O peso de um equipamento de grande porte, como o Mega Sorter, tornou-se um desafio.

O “Elefante Branco” da Operação de E-commerce

O Mega Sorter, incorporado após a fusão com a Move3 em 2024, simbolizava a ambição de escala da Sequoia. Ele era projetado para processar até 34 mil pacotes por hora, visando atender grandes players do varejo online.

Contudo, sem o volume de negócios esperado, o ativo operou com mais de 50% de ociosidade, segundo dados do Neofeed. O que deveria ser um motor de produtividade acabou gerando pressão sobre o caixa e a operação.

Desafios Operacionais e Financeiros

A própria Sequoia reconheceu que o segmento de triagem de grandes volumes estava “drenando recursos financeiros e esforços comerciais, operacionais e administrativos”. A empresa apontou que a verticalização logística pelos marketplaces tornou o setor menos atrativo devido à alta concorrência e margens apertadas.

Um ponto crítico é o descompasso de fluxo de caixa: os custos das operações são pagos de 30 a 60 dias antes do recebimento pelos serviços prestados. Sem o volume necessário dos marketplaces, o Mega Sorter se tornou um ativo “deficitário quando operado sem grande escala”.

A Integração do Ativo no Mercado Livre

Para a Sequoia, o equipamento representou um entrave, mas para o Mercado Livre, ele se alinha perfeitamente à estratégia de expansão da varejista argentina no Brasil. A gigante do e-commerce tem focado em fortalecer sua própria infraestrutura logística.

Nesse contexto, o Mega Sorter deixa de ser um problema de escala e passa a ser um ativo valioso para a operação do Meli. Com volumes consistentes e controle sobre toda a cadeia, o Mercado Livre reforça sua capacidade de gerenciar prazos, custos e a qualidade da entrega.

Novo Foco Estratégico da Sequoia

Para a Sequoia, a venda sinaliza uma mudança de rumo clara. Ao se afastar do B2C de grandes volumes, a companhia abandona um modelo muito dependente de capital e altamente competitivo. O foco agora é em operações mais previsíveis e rentáveis, seguindo uma estratégia “asset light”.

Os pilares dessa nova fase são os segmentos de logística de cartões bancários e maquininhas de pagamento, além do B2B (carga fechada). São áreas onde a empresa já possui histórico operacional e gera caixa positivo, o oposto da dinâmica do e-commerce.

A conclusão da venda é vista como a etapa final da reestruturação iniciada no final de 2023. É importante notar que a transação ainda aguarda a aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Outros Avanços na Reestruturação Financeira

Mais cedo nesta semana, a Sequoia avançou em outra frente de sua reestruturação financeira. A companhia conseguiu um acordo, reduzindo seu passivo de R$ 631,7 milhões para R$ 112,7 milhões. Esse movimento gerou um impacto imediato no mercado, fazendo as ações SEQL3 dispararem em um único pregão.

Apesar do otimismo, o ponto de partida ainda é baixo. Após perder mais de 99% do seu valor desde o pico, o papel continua sendo negociado como uma *penny stock*, ou seja, ações com valor abaixo de R$ 1.

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