Suprema Corte examina risco de interferência política no Federal Reserve com Lisa Cook

Suprema Corte analisa disputa entre Trump e diretora do Federal Reserve, Lisa Cook. Caso levanta dúvidas sobre autonomia do Fed nos EUA.

21/01/2026 15:36

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(Imagem de reprodução da internet).

A Suprema Corte dos Estados Unidos examinou nesta quarta-feira (21) a tentativa do presidente de remover a diretora do Federal Reserve, Lisa Cook. O caso levanta questões sobre a autonomia do banco central americano. Durante cerca de duas horas, os ministros da Corte demonstraram ceticismo em relação aos argumentos do governo, indicando que dificilmente suspenderão a decisão judicial que mantém Cook no cargo enquanto o processo é analisado.

Desafios ao Processo Legal

Os ministros questionaram o advogado-geral do governo, D. John Sauer, sobre a ausência de uma defesa formal por parte de Cook. A Corte argumentou que a diretora não teve a oportunidade de responder às acusações de fraude hipotecária apresentadas por Trump, que ela nega.

A falta de um procedimento formal enfraquece a posição do Executivo, aumentando o risco de interferência política em uma instituição que exige independência técnica.

Impacto Econômico em Debate

Além do aspecto jurídico, a Corte avaliou as possíveis consequências econômicas de uma eventual demissão de Cook. Desde a criação do Fed em 1913, nenhum presidente tentou remover um de seus dirigentes. A própria Suprema Corte já havia julgado o caso em outubro e mantido Cook no cargo.

No entanto, os ministros alertaram que uma decisão favorável ao governo poderia criar um precedente delicado para a política monetária dos Estados Unidos.

Defesa Alerta para Precedente Institucional

Paul Clement, advogado de Lisa Cook, argumentou que as acusações se limitam a um erro administrativo ocorrido antes de sua entrada no Fed. Segundo ele, aceitar a tese do governo transformaria mandatos protegidos em cargos demissíveis a qualquer momento.

Para Clement, não faz sentido criar uma instituição blindada do ciclo político e, ao mesmo tempo, permitir demissões baseadas apenas na vontade presidencial.

Corte Impõe Limites ao Poder Presidencial

O presidente da Suprema Corte, John Roberts, questionou o argumento de que decisões presidenciais sobre “justa causa” não poderiam ser revisadas pelo Judiciário. Brett Kavanaugh alertou que a posição do governo enfraqueceria, ou até destruiria, a autonomia do Fed.

Amy Coney Barrett destacou que o presidente poderia ter concedido uma audiência simples para que Cook se defendesse, evitando parte do conflito institucional em julgamento.

Mercado Acompanha com Atenção

A decisão final será acompanhada de perto por investidores e analistas. Caso a Corte autorize a demissão, o precedente pode abrir espaço para pressões políticas sobre a política monetária. Até o momento, o tom do julgamento indica resistência a esse movimento.

O mercado global interpreta o caso como um teste decisivo, e possivelmente limitador, do poder presidencial sobre o banco central.

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