O Potencial Crescente do Timeshare no Mercado Hoteleiro Brasileiro
As viagens de férias são momentos muito esperados, seja no campo ou no litoral. O planejamento envolve um ritual completo, desde a criação do roteiro até a organização das malas e a compra das passagens. No setor de hospedagem, o timeshare, ou tempo compartilhado, tem ganhado destaque no Brasil nos últimos anos.
Este modelo permite que o cliente adquira o direito de utilizar um imóvel, como um resort ou hotel, por um período específico de semanas anualmente. O sistema geralmente vem acompanhado de diversos benefícios para esses hóspedes já garantidos.
Dados de Mercado e Projeções para 2026
O mercado de timeshare movimentou R$ 1,6 bilhão em Valor Geral de Vendas (VGV) no Brasil em 2025, representando 17,7% da demanda hoteleira nacional. Esses dados foram revelados no evento Share Summit 2026, em um estudo feito pela Noctua Advisory, consultoria de hospitalidade, em parceria com a Resorts Condominiums International (RCI).
A análise cobriu 43 empreendimentos que oferecem o modelo no país. Dentro dos hotéis estudados, a estratégia de tempo compartilhado responde por 11,5% da ocupação total. Pedro Cypriano, sócio-fundador da Noctua Advisory, aponta que há espaço para mais crescimento, visto que em mercados mais maduros o percentual de ocupação atinge 53,4%.
O Valor Agregado da Experiência do Cliente
Os clientes de timeshare tendem a gastar mais do que os hóspedes tradicionais. Embora o foco ainda esteja no custo-benefício, a pesquisa ressalta que oferecer experiências únicas é o grande diferencial competitivo.
É notável que o hóspede de timeshare permanece 0,7 dia a mais nos empreendimentos em comparação com os hóspedes comuns, o que eleva o consumo geral nos hotéis. Segundo a pesquisa, o gasto desse grupo é 33% superior ao dos clientes regulares.
Estratégias para Superar a Concorrência no Setor
Pedro Cypriano afirma que o timeshare deixou de ser apenas uma opção e se tornou uma força real de receita para a hotelaria. Ele ressalta que, embora o mercado tenha escala, é crucial evoluir em eficiência, qualidade do produto e gestão para sustentar o crescimento a longo prazo.
Os hóspedes desse modelo são mais exigentes, demandando mais do que os serviços básicos, como check-in prioritário ou descontos em passeios. Para se destacar, é preciso ir além do que é considerado padrão em um resort.
Exemplos de Diferenciação de Mercado
Alessandro Cunha, CEO da Aviva, que desenvolveu empreendimentos como Costa do Sauipe, na Bahia, e Rio Quente, em Goiás, exemplifica essa visão. Ele refuta a ideia de que o modelo diminui o poder de tarifas.
Cunha explica que, na Costa do Sauipe, a diária para timeshare é mais cara, mas o cliente se compromete com a empresa por 15 anos. Para justificar esse valor, a empresa oferece benefícios como check-in diferenciado, espaços exclusivos em restaurantes e acesso a eventos como camarotes de Carnaval.
Pontos de Atenção e Perspectivas Futuras
A expectativa de crescimento do VGV bruto para 2026 é de 20%, com alguns empreendimentos podendo crescer mais de 30%. Cypriano considera o mercado aquecido, mas aponta riscos importantes que merecem atenção.
Entre os fatores de risco, destacam-se a alta taxa de cancelamento de contratos, que aumentou 1,2 ponto percentual no último ano, atingindo 25,8%. Além disso, a inadimplência média permanece elevada, com 14,1% dos contratos apresentando pagamentos atrasados.
O estudo também aponta que os custos operacionais são significativos, com comercialização chegando a 14,3% do VGV bruto, mais 2,7% em pós-vendas. A gestão eficiente desses custos é vital para que o setor mantenha sua competitividade e potencial de crescimento no Brasil.
