Trump e a Venezuela: Oportunidades na Indústria Petrolífera e Incertidões no Mercado
Trump reativa indústria petrolífera venezuelana e ações de Chevron sobem; Exxon, ConocoPhillips e outras também avançam. Análise sobre riscos e oportunidades no mercado global de energia
Promessa de Retorno: Trump e o Potencial da Venezuela
O presidente Donald Trump, ao anunciar a captura de Nicolás Maduro no final de semana, reacendeu o debate sobre o futuro da indústria petrolífera venezuelana. A promessa de reativar a produção e a subsequente intervenção do governo norte-americano geraram um impacto imediato nas ações de gigantes do setor, especialmente da Chevron.
A empresa, que detinha grande parte das operações na Venezuela, viu suas ações dispararem mais de 8% em um único dia, impulsionando também as ações da ConocoPhillips, Exxon Mobil, Halliburton, SLB e Baker Hughes, todas com ganhos superiores a 5%.
Análise dos Especialistas
Analistas como Allen Good, da Morningstar, apontam que a Chevron é a mais bem posicionada para se beneficiar do acesso imediato às vastas reservas venezuelanas. No entanto, ressaltam que o aumento significativo da produção levará anos, e a incerteza sobre o desenvolvimento das reservas de petróleo da Venezuela permanece alta.
A complexidade da situação, com a falta de regras legais e fiscais estabelecidas no país, exige cautela por parte das empresas.
Riscos e Oportunidades
A intervenção do governo Trump pode permitir o retorno da Exxon e da ConocoPhillips à Venezuela, embora a indústria petrolífera venezuelana necessite de investimentos de dezenas de bilhões para aumentar significativamente a produção. A segurança regulatória e contratual também são fatores cruciais para atrair investimentos.
Mercado e Preços do Petróleo
O Citi alerta para os riscos de oferta no mercado global de energia, o que pode sustentar a expectativa de um Brent em torno de US$ 60 por barril nas próximas semanas. A “backwardation” na curva de preços do petróleo, um sinal de escassez ou pânico, indica que os eventos na Venezuela ainda não representam uma ameaça significativa ao sistema energético global.
Impacto na Petrobras
Ruy Hungria, analista da Empiricus Research, considera que a situação não muda diretamente para a Petrobras, que não tem produção na Venezuela. No entanto, com investimentos esperados, a produção atual pode aumentar para cerca de 2 milhões de barris por dia, o que alteraria o cenário, pois o mercado já está com sobreoferta.
A tendência é de pressão adicional sobre o Brent, e esse é o efeito mais importante para a Petrobras.
Outros Ativos na América Latina
Com a intervenção dos EUA na Venezuela, analistas do UBS observam que os investidores podem reavaliar cenários de risco extremo, especialmente no México e Colômbia, onde a volatilidade pode aumentar. O Brasil, com sua relação comercial com a China e o apoio dos EUA a Javier Milei, apresenta um cenário mais estável, enquanto Chile e Peru, com fluxos de migrantes venezuelanos, mantêm perspectivas limitadas.
Conclusão: Um Cenário de Incertezas
A promessa de Trump de reativar a indústria petrolífera venezuelana abre um capítulo de incertezas. Embora o potencial de recuperação das reservas de petróleo seja significativo, a falta de regras claras e a complexidade da situação exigem cautela e investimentos consideráveis.
O mercado de petróleo, com sua sensibilidade a eventos geopolíticos, e a dinâmica da curva de preços do petróleo, determinarão o sucesso ou o fracasso das empresas que buscam se beneficiar da nova realidade na Venezuela.
Autor(a):
Redação
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