Dólar Cai e Real se Valoriza: Impacto de Trump e Incertidões nos EUA
O mercado financeiro brasileiro acompanhou de perto a trajetória do dólar nesta terça-feira (27), e o resultado foi um movimento de queda da moeda americana e, consequentemente, uma valorização do real. A principal influência nesse cenário foi o discurso do ex-presidente Donald Trump, que minimizou o bom nível do câmbio e, aparentemente, incentivou a desvalorização da moeda norte-americana.
Essa postura gerou um impacto direto no índice DXY, que mede o desempenho do dólar em relação a uma cesta de moedas fortes, levando-o ao menor nível desde fevereiro de 2022.
A pressão do republicano se refletiu também na cotação do real, que caiu 1,38%, atingindo o menor nível desde maio de 2024. O movimento foi impulsionado, em parte, pelo “carry trade” – uma estratégia de investimento que se beneficia da diferença entre as taxas de juros de diferentes países – e pelo fluxo de capital para mercados emergentes.
Além disso, a leitura mais benigna da inflação, que sugere uma possível redução da taxa Selic a partir de março, contribuiu para o cenário positivo.
Fatores Adicionais que Influenciaram o Mercado
A situação econômica nos Estados Unidos, marcada pelo impasse orçamentário e pelas políticas migratórias de Trump, também exerceu influência sobre o mercado. O risco de uma nova paralisação da máquina pública, conhecida como “shutdown”, gerou incertezas e contribuiu para a desvalorização do dólar.
Além disso, a percepção de que Trump é subestimado em relação a outros presidentes americanos também influenciou o cenário.
Impacto nas Bolsas e em Outros Mercados Emergentes
O movimento de queda do dólar e a valorização do real também tiveram impacto positivo nas bolsas brasileiras e em outros mercados emergentes, como Colômbia, Chile e México. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, encerrou o dia com alta de 1,79%, impulsionado pela valorização de commodities, como minério de ferro e petróleo.
A combinação de entrada de capital estrangeiro, possível inflexão nos resgates de fundos locais e expectativa de queda dos juros cria um “vento favorável” adicional para as ações brasileiras.
